Archive for abril 2014

HASHTAG: NÃO FALEM POR NÓS!

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por Grupo de Trabalho Histórico-político

Fonte:  Google

       Nas hashtags mais frequentes nos "tuíteres" e Facebooks da classe média nos últimos meses, vemos: 
#CadêoAmarildo, #SomostodasClaudia, #TodossomosiguaisForam casos que ganharam grandes proporções: o desaparecimento de um um homem preto, o tratamento desumano dispensado à uma mulher preta e o racismo.
       Mas saiba "classe média leite com pêra batida com pouco açúcar": embora a gente entenda que vocês até sejam capazes de criticar situações e fatos sociais através da observação e debate,  não conseguimos respeitá-los enquanto voz das dores da comunidade preta. Incapacidade nossa - confessamos! Nos sobe uma angústia em ver a bem criada da Carolina Dieckmann levantando plaquinha falando que não merece ser assassinada... Você não merece, e o primo da nossa companheira de luta também não merecia! A Regina Casé não merece ser assassinada, e o irmão da manicure aqui da nossa área também não merecia! A Claudia não merecia ser assassinada e arrastada, e nem a tia de consideração de uma de nossas irmãs de Coletivo merecia morrer de tristeza por ter tido seus 3 filhos assassinados.
          É muita hashtag que está faltando aí... É hashtag pra sua empregada que tem crise de vesícula, mas não tem atendimento, porque na emergência do Miguel Couto não tem gastroenterologista, só ortopedia e cardiologia. É hashtag pras famílias, na sua maioria pretas, que não sabem o que fazer com seus doentes psiquiátricos. É hashtag pra depressão e a esquizofrenia que ataca a mulher preta (destacamos aqui um dado: as "malucas dos bairros" geralmente estão concentradas na Baixada, no Centro ou nas Zonas Oeste e Norte do Rio de Janeiro, porque no Leblon quase nem se vê morador de rua - pra não "sujar" o visual eles são devidamente varridos pra bem longe da esquina do ex-governador...). Tem hashtag faltando aí, Preta Gil! Está faltando hashtag pras mulheres pretas e gordas que são massacradas pela mídia perversa - somos todos iguais mesmo? É hashtag pros espaços de privação de liberdade que bestializam internos; pras instituições de correção de menores infratores que só fazem alimentar o ódio e a violência; pra escola que não sabe o que fazer com alunos dependentes químicos...
         Quem está no olho do furação sabe a dor da família do Amarildo e chora pela família de Claudia, mas sabe que só na sua rua mais de dez famílias foram devastadas por essa mesma dor. Quem milita na rua conhece essa dor na sua própria casa. Por isso não fazemos sensacionalismo com isto: essa dor já nos persegue desde 1500 e tal... Por isso não venha falar por nós, Neymar!  Nos procure - somos muitas as  companheiras e muitos companheiros de militância - pra conversarmos sobre nossa negritude. Busque entender a sua caminhada como homem preto. Descubra-se um homem preto primeiro e não reforce mais esteriótipos.
          Nossos mais velhos não sabem o que é hashtag. Eles só sabem da dor da perda e da força que vem dos ancestrais pra superar e resistir. Enquanto vocês lutam pelo #trendingtopics, nós lutamos para não morrer - falamos das mortes emocionais, intelectuais, sociais e factuais. Lutamos - ainda que de luto pelas tantas mortes nas NOSSAS FAMÍLIAS, NÃO NAS SUAS! - pra não morrer.

SIM, SOMOS TODAS CLAUDIA!

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por Nanci Saran
Foto: Vanderlei Yui
       O dia era 18 de Abril, Sexta-feira da Paixão, data em que os cristãos lembram o julgamento, a crucificação e a morte de Jesus Cristo. No centro da cidade de São Paulo esta data foi escolhida para realização do ato cultural "A Paixão de Cláudia" e nós do Meninas Black Power SP estivemos presentes em apoio aos organizadores (Cubo Preto, Manifesto Crespo, Roda da Mãe Preta), os familiares e o viúvo de Cláudia, Alexandre Fernandes Silva, que estava presente.
         O ato foi idealizado para homenagear Cláudia da Silva Ferreira, mulher NEGRA de 38 anos, trabalhadora e mãe brasileira, MORTA no dia 16 de março de 2014, alvo de uma bala perdida disparada por agentes da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Ao ser socorrida pela PM, ainda com vida, teve seu corpo jogado no porta malas da viatura policial, de onde caiu, ficou preso e seguiu sendo arrastado por cerca de 300 metros.

Foto: Denise Nunes
        Marcado pelo som dos tambores e outros instrumentos, o ato seguiu com um sentimento fúnebre, todos verdadeiramente sentiam a morte da Cacau. As pessoas presentes, algumas vestidas de branco, outras de preto, carregavam rosas vermelhas, que segundo os organizadores, foram escolhidas por conter "uma beleza que a própria natureza armou com espinhos para protege-la de seus opressores".
        Posteriormente, as rosas foram deixadas na estátua da Mãe Preta no Paiçandú e teve início as performances culturais que tomaram o Boulevard São João, de forma pacífica e assertiva, dando continuidade ao protesto com arte. Apesar da tristeza pelo fato ocorrido com a Claudia, foi emocionante ver o povo negro unido e reivindicando justiça, não podemos e não vamos nos calar diante das atrocidades.

Foto: Bê Cruz
        Claudia, o Amarildo, o Alailton e tantos outros se foram, mas enquanto houver "vida negra", lutaremos contra as injustiças desta sociedade arcaica. Unidas! Abaixo vídeo de Aimê Uehara e cenas do ato.

                 

CLÁUDIA SILVA FERREIRA - CACAU

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por Grupo de Trabalho Histórico-político

       Mulher negra, chefe de família, mãe de 4 filhos e acolhia outros 4 sobrinhos, levava seu cotidiano lutando pelo bem estar dos seus. Em 16 de março de 2014 tombou com dois tiros em consequência das intervenções das ações da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, que, como e sabido, tem como alvo preferencial a população negra.
      Como se não bastasse tudo acima, ela inda foi levada como "coisa" na caçamba do camburão que se abriu durante o trajeto sendo o seu corpo arrastado pelas ruas da cidade. Esta cena foi vista nacionalmente em retrato ao descaso cotidiano com a população negra que majoritariamente é favelada. Esse relato retrata o racismo, onde o extermínio da população negra no Brasil, segue a todo vapor, em se tratando de moradores de favelas, onde predomina a lógica do “atire primeiro e pergunte depois”. Dessa forma a mulher negra trabalhadora, chefe de família, Claudia Silva Ferreira, teve sua vida ceifada pela policia militar do Rio de Janeiro. A política do Governo do Estado é impor a truculência a qualquer custo sobre o nosso povo. Predomina neste país o extermínio do povo preto, visto como suspeito em potencial. O aparato policial militar a cada dia torna-se mais implacável nas suas ações contra o nosso povo, e assim seguimos sendo alvo preferencial desta prática. 
       O ato bárbaro dos policiais militares que tirou a vida de Cláudia, e que a todos nós chocou profundamente, há muito tempo já se tornou rotina. Exemplos temos e muitos, aqui no Estado do Rio de Janeiro bem como em toda parte desse pais, a exemplo do pedreiro Amarildo, Douglas e tantos outras vitimas dessa política. Tudo isso deve nos servir de alerta. Sobre a nossa juventude preta não é diferente, vide as estatísticas oficias, que apontam uma realidade cruel que se abate sobre eles, onde a expectativa de vida, não ultrapassa a idade dos 24 anos. Não podemos e não devemos nos calar, diante de mais esse crime, cometido pelos chamados Agentes do Estado. É de total responsabilidade do governo Cabral, mais essa tragédia, que se abateu sobre mais uma família de trabalhadores moradores negros de favela do Rio de Janeiro. A nossa tarefa é lutar contra esse quadro de covardias dos governos Estadual, Federal e Municipal, que vem submetendo milhões de pretas, pretos e pobres nesse país afora, a uma onda de terror, que criminaliza e marginaliza a todos nós pela cor da pele.
       CONTRA O EXTERMÍNIO DO POVO PRETO, CONTRA A OCUPAÇÃO MILITAR DAS FAVELAS DO RJ. SÓ A NOSSA LUTA PODE GARANTIR A VIDA.
Escrita pelo Movimento Negro
Assinam:
Aqualtune
Arte Griot
Afrolaje
Marking - Movimento de Ação e Reflexão
Criola
Nefet
MNU-Juventude RJ
Espaço cultura Almirante João Cândido
Fórum Juventudes RJ
Fórum Estadual de Mulheres Negras
AMAR (Associação de Mulheres de Ação e Reação)
Coletivo Meninas Black Power
Preta&Gorda
Educafro
Coletivo Munervino de Oliveira
Movimento Negro da FND
Instituto Búzios
Movimento Nacional Quilombolas Raça e Classe
Mulheres Negras Construindo Visibilidade
Pastoral Regional Metodista de Combate ao Racismo
Comissão de Igualdade Racial OAB-RJ
Coletivo de Estudo Jurídicos Luiz Gama
Granes Quilombo
Conadedine
Grupo de Trabalho Psicologia e Relações do conselho Regional da Bahia.
       Aproveitamos para convidar a todos, especialmente Meninas Black Power, para participarem do ato "A Paixão de Cláudia". Será uma homenagem póstuma à mulher negra assassinada pela PM do Rio de Janeiro. O ato acontecerá dia 18 de abril, com concentração em frente à Igreja da Nossa Senhora da Consolação, às 15h. Está sendo articulado pela empresa Cubo Preto Ensino de Arte e Cultura Ltda., juntamente com ONGs, associações, empresas, órgãos da imprensa formal e informal e por profissionais de várias áreas das artes e interessados na vida em sociedade de modo geral. Participem! Maiores informações: https://www.facebook.com/PaixaodeClaudia.



RECEITA DE LEAVE IN ORGÂNICO DE BABOSA

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por Grupo de Trabalho Moda e Beleza
       Encontrar o leave in perfeito pode ser um desafio para quem tem cabelo crespo natural. Existem tantas linhas de produtos que prometem hidratação e brilho... Antes de investir no próximo produto superpopular, que tal tentar fazer e testar o seu próprio leave in? Você acabou de encontrar uma incrível receita de leave in orgânico e a melhor parte: você só precisa de três ingredientes! Quem pensou que poderia ser tão simples?
         Com aproximadamente 4,5 de pH, a acidez da babosa é uma grande aliada, pois fecha as cutículas do cabelo. A consequência é um cabelo mais macio, menos frizz, além de definição e brilho. A babosa pura é bastante leve e não deixa o cabelo oleoso ou pesado. Também não o deixa com a aparência de estático, sem movimento. Vejam a receita e mais informações:

- Receita
100 ml de água
100 ml de babosa (apenas a porção gelatinosa batida em liquidificador)
10 gotas do óleo essencial de sua preferência.

- Instruções 
         Misture levemente a água e o gel de babosa. Despeje o conteúdo em um borrifador e agite . Adicione o óleo essencial escolhido e agite. Use diariamente ou quantas vezes for necessário para restaurar a suavidade dos fios.

- Benefícios
       Esta mistura dá hidratação aos cabelos, facilita o desembaraçar, define, reduz coceiras e descamação do couro cabeludo, equilibra o pH e é uma boa aposta para redução de oleosidade em cabelos oleosos. E vocês, Meninas? Costumam usar babosa nos cabelos? O que acham? Compartilhem com a gente!

Fonte: Songstress A

SOBRE LIBERDADE

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por Jaciana Melquiades


       Depois que deixei meus cabelos livres de químicas que modificavam a estrutura dos meus fios, me peguei pensando/conversando/refletindo sobre liberdade. Liberdade dos fios de cabelos, sobre o "poder fazer o que quiser com os cabelos", sobre autoconhecimento.
       Entendam que aqui vai a minha percepção, pensada a partir de minha trajetória e experiência pessoal com meus cabelos. Eu usei relaxantes por muito tempo. Mas usei relaxantes com o único pensamento de possuir uma estrutura capilar que eu elegi (com a ajuda da mídia, do racismo, das piadas pejorativas, da autoproteção) como ideal. Passei anos nessa busca. Nunca estava suficientemente boa a forma dos meus "cachos". A raiz precisava de retoques, o fio de mais cachos, os cremes e hidratações tinham que ser milagrosos... E caríssimos. E nunca estava suficientemente bom! Sei que já disse isso, mas era sempre assim: frustrações recorrentes, seguidas e mais certas que o dia. Quando eu olhava fotos anteriores ao momento em que estava vivendo, via beleza... mas no espelho, não.


       Achava ótimo ter um cabelo com etiqueta. No fim das contas, era uma competição: comigo, com amigas, com uma comunidade virtual na qual todas as participantes esbanjavam conhecimentos químico-capilares, dinheiro e cachos (esses eram os mais sonhados e idolatrados!). Eu não me conhecia e mensalmente fazia o mesmo ciclo, a mesma maratona. Sofria a CADA fio perdido: eram menos cachos, dinheiro no lixo, estresse que tomava o dia! Um único pormenor não era levado em consideração: EU NÃO TENHO CACHOS! Nunca tive e nenhuma química seria capaz de me dar isso satisfatoriamente. Percebam: ter cachos definitivamente não é um problema... É lindo! Porém, não é o meu caso. E a busca pelos cachos perfeitos só maltratou meus cabelos e minha autoestima.
       Larguei os relaxamentos. Não foi simples. Pasmem: meu cabelo simplesmente não cai mais! Só faz crescer, pra cima, forte, meu! Ele não brilha, não mostra o crescimento (é preciso que eu pegue uma mecha e estique para ver toda a extensão dos meus fios), não faz cachos, não balança, não, não, não, não, não. Parei com os "nãos" também. Fui aprender o que ele faz e como é que se faz qualquer coisa nele. Larguei também os espelhos distorcidos que eu tinha e que só me faziam ver erro em meus fios! Estou aprendendo muito. Descobri que posso ter os cabelos que eu quiser, mas sobretudo, percebi que meus cabelos são meus e são únicos.


       Penso hoje nos recursos que uma mulher negra de cabelos crespos possui para diversificar seus penteados, usar os cabelos lisos, cacheados, crespos. Escovas, relaxantes naturais, técnicas infinitas de texturização dos fios, tranças. Não vejo nada disso com maus olhos, até uso muitos desses recursos pra modificar meu visual, mas mesmo sem alterar a estrutura dos meus fios, acho importante que esses recursos sejam usados com tranquilidade e que nunca funcionem como meios de "camuflar", "disfarçar" ou esconder a estrutura dos próprios fios. É preciso que entendamos nossos cabelos, a forma ideal de penteá-los para que não se partam e para que a tarefa seja prazerosa. Que o toque em nossos cabelos não nos cause repulsa ou estranhamento, e que o cafuné nos deixe confortável.
        Hoje meus cabelos só podem crescer, pois nada do que uso faz cabelos caírem ou minguarem. Hoje não tenho nenhum receio de tocar meus cabelos na rua, no reflexo do carro... Aliás, não ando mais me olhando em cada carro que passa por mim, pois sei que meus fios estão exatamente onde estavam pela manhã quando me arrumei! Hoje penso que sou livre pra deixar meus cabelos serem plenos e me darem toda a variedade que eles comportam. Aprendi que meus cabelos podem ser minha digital. Troquei a etiqueta pela identidade.

P.S. Todo amor aos meus espelhos.

"BLACK HAIR NOW!" NA NOVA EDIÇÃO DA ESSENCE

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por Grupo de Trabalho Moda e Beleza

        Inspiração tripla e que a cara de Meninas Black Power na capa da edição de beleza da revista ESSENCE (que é norte-americana, direcionada para leitores negros e todo mês lança uma nova inspiração incrível!) disponível no próximo mês. Erykah BaduLedisi e Solange, muito conhecidas por nós, são as divas da vez.  A revista diz que a edição é uma "comemoração da beleza individual, e isso é exatamente o que vem à mente com as três mulheres da capa". Vamos dar uma olhada nas capas e algumas fotos e torcer pra que cheguem logo as outras, né?!




"Beleza se parece com encorajamento, paciência, aceitação, perdão, cuidado e compaixão. A beleza é espiritual e física. " - Erykah Badu

“Eu acho que sou a coisa mais sexy do mundo quando estou no palco. Eu me sinto assim mesmo quando não estou cantando, porque isso vem de dentro. Comecei a me sentir bonita porque eu vim da beleza.” - Ledisi
      Como amamos estas moças, separamos três sons bem MBP para embalar o balanço de nossos crespos por aí. Apertem o play e aproveitem!

 

 


Fotos: Greg Lotus
Fonte: ESSENCE Magazine