VAI PELA SOMBRA, MENINA!

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por Élida Aquino



      Chegou o verão e é a hora de ativar nossas melhores ideias de looks fresquinhos e descolados, certo? Chapéus de diferentes tipos combinam muito com a energia do momento (além de dar aquela aliviada no sol sobre nossas coroas incríveis), mas o uso deles é ainda um pouco polêmico entre Meninas como nós, cheias de volume e textura. Por conta das características de nossos cabelos ouvimos várias opiniões desanimadoras, mas estamos aqui pra derrubar ainda mais os mitos e libertar quem ainda fica na dúvida, mesmo sentindo muita vontade de usar. O post é simples, mas cheio de inspirações bacanas com crespas "divônicas" que colocaram o acessório na vida e estão felizes, reinando por aí. Vamos lá!

Fonte: Google

Fonte: Google

Fonte: Google
@aquinoellen
@funk_jess
      Aqui um tutorial feito por Klassy Kinks pra ajudar quem ainda encontrar dificuldade. Não tem desculpa! 


      Estão prontas? Então arrasem com essas ideias. Se quiserem mandar mais fotos de inspiração, fotos das amigas lindas de chapéu ou registros de como vocês usaram, fiquem à vontade. Nosso email é blogmbp@gmail.com e vocês também nos encontram por mensagem lá na página. Beijos!

A INCRÍVEL MELIYART GRAPHIK

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por Élida Aquino

      O nome dela é Melissa, mas na rede é a Meliyart Graphik: artista gráfica, diretora de arte e modelo que mora e trabalha em Paris. Também é uma jovem mulher negra cheia de atitude, talento e, óbvio, criatividade. Seu trabalho está sempre acompanhado de imagens da mulher negra e suas colagens ficam entre o real e o abstrato. Em algumas obras podemos ver representações de deusas de África, inclusive. Melissa tem feito muito sucesso por aí e, caso vocês ainda não conheçam, podemos garantir que vale a pena conhecer. Confiram alguns trabalhos abaixo.








Acompanhem o trabalho dela através do Facebook, Instagram e Twitter.

"FRUITVALE STATION" E O QUE SEI DA VIDA

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por Élida Aquino
Manifestações em Ferguson, EUA | Foto Scott Olson/Getty Images
      30.000 homicídios por ano, 2.500 por mês, 82 por dia, 7 a cada duas horas e 77% dos mortos são negros: números relacionados à mortalidade da juventude no Brasil, hoje divulgados pela campanha #JovemNegroVivo, promovida pela Anistia Internacional (saibam mais aqui). Em meio aos índices alarmantes e o apelo à "consciência negra" que deve extrapolar datas, assisti a um filme que me movimentou. Não bastasse saber que eu e jovens como eu somos alvo do Estado e morremos todo dia, estou ainda mais ligada à questão. Não são poucos os homens jovens e negros da minha família que morreram brutalmente. Quer seja pela mão da polícia ou de outros tipos de criminosos, já vi sangue do meu sangue sobre chão. Não é fácil lembrar, mas é menos fácil ainda acomodar. 
       Assisti "Fruitvale Station: A Última Parada" com minha irmã e quase não aguentamos chegar ao fim. Começamos por causa da linda Ariana Neal, que interpreta Tatiana, filha de Oscar (Michael B. Jordan). Depois de começar, vimos que era real. Oscar Grant III, um jovem homem negro e cidadão estadunidense, foi assassinado aos 22, na estação BART. Morreu em 1 de Janeiro de 2009 e poucos devem lembrar deste caso. O filme fala sobre a passagem do jovem pelo presídio, a luta para retornar à vida civil honestamente; mas, sobretudo, mostra com intensidade as cenas que se repetem no cotidiano de maneira tão ou mais forte. Oscar e seus amigos, todos negros, começam "enquadrados" por policiais (nada mais comum e recorrente, não?) em plena madrugada de Ano Novo, depois de um desentendimento com homens brancos e racistas no metrô. O fim da história são rapazes negros agredidos, morte, desespero.



      Não estou aqui pra indicar que assistam. O filme é ótimo, mas vim falar da dor capaz de causar incômodo e reação. Nossa realidade tem que ser mesmo a de andar com as mãos erguidas dizendo "não atire!", como está acontecendo com os jovens de Ferguson? Devemos mesmo nos sentir ameaçados ou ameaçadores e calcular nossos horários ou como estamos vestidos para circular por aí? O assunto aqui é o direito de viver livres, o papel de órgãos que devem manter a segurança de todos, inclusive a nossa. Estamos falando sobre quem mata ou morre e o que achamos de quem mata ou morre, questionando a cultura do estereótipo que sugere que um rapaz pigmentado descendo a favela pela manhã é, em primeira opção, um meliante. 
     Já pararam pra pensar o tamanho da nossa responsabilidade enquanto as mortes acontecem? De que lado estamos? Truculência e abuso fazem parte do dever? Aqui, nos Estados Unidos e em tantos outros lugares, não nos faltam exemplos. Foi o Mike Brown, meu primo Nino, meu tio, o cara aqui do bairro, talvez alguém querido de vocês que me leem agora. Espero que eles tornem nossos olhos mais abertos, nossos corações mais sensíveis. Há muito o que se pensar e fazer. Não podemos nos contentar com a liberdade limitada que 13 de Maio finge trazer. Faço esse apelo por mim e por tantos que, como eu, não suportariam passar, sem assistência e justiça, por uma poça de sangue igual ao próprio sangue outra vez. 
Assinar o manifesto é um jeito de começar mudanças. Participem!

PRA SER GRANDE

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por Jaciana Melquiades
Foto: Jaciana Melquiades

       Um dia desses disse ao meu filho que ele não se deitasse no chão, pois já estava com pijama, pronto pra dormir. Ele, criança de 3 anos, deitou, rolou e veio correndo me abraçar. Eu fiz uma careta dizendo: "Mas você rolou no chão! Eu disse que ficaria todo sujo!". Ele ficou cabisbaixo. Foi contar ao pai com tristeza que eu disse que ele estava nojento. Não usei esse termo NOJENTO. Vasculhando a memória, já usei várias vezes associado a alguma comida que eu desgoste, ao lixo acumulado, mas nunca me referindo a uma pessoa, muito menos ao meu pequeno. Mas ele já viu meu semblante usando o termo... Provavelmente fiz a mesma careta e o termo nem precisou ser verbalizado para que fosse apreendido por um menino de 3 anos.
      Sempre penso muito no que ando fazendo enquanto mãe de um menino preto de 3 anos, no que digo a ele cotidianamente, nas palavras que uso. Uma vez disse: "Venha cortar essas unhas... Estão pretas, veja!". Meu coração gelou assim que proferi essas palavras: como vou construir a autoestima no meu menino usando o termo "preto" associado à sujeira? Cada sutileza, cada palavra mal dita deve ser pensada, refletida, elaborada e eliminada da fala.

Foto: Jaciana Melquiades
     Os lugares que ocupamos socialmente são reflexo do horizonte de expectativas que criamos. E não criamos sozinhos, sem exemplos, sem levar em consideração o que ouvimos ao longo de nossa formação enquanto sujeitos. Esses dias, por conta de trabalho, li um texto do Jailson de Souza, do Observatório de Favelas, sobre os encontros e distanciamentos entre a favela e outros espaços da cidade¹. Ao longo do texto, o questionamento que vai sendo deixado ao leitor é o de como seria possível ampliar os horizontes de expectativas dos jovens das periferias. Como seria possível construir, reformar, aumentar, elevar a autoestima dos jovens negros que acessam diariamente a fala racista e excludente mesmo através do não-dito?
      O racismo engessa, classifica e enquadra pessoas em lugares sociais específicos. E ele é também construção, uma ficção que mata um sem número de jovens negros diariamente. A história que nos contam desde o nosso primeiro contato com a escola é de derrotas e falências da população negra; Não tem glória nem luta nos livros de história que nos apresentam. Não tem beleza nem positividade nos termos racistas que usam para nos definir. Não tem passado nem unidade na trajetória da população negra que chega até nós, e mesmo nossos sobrenomes não são uma pista muito confiável para saber de onde viemos.

Foto: Jaciana Melquiades
      Não é raro nas escolas em que tenho a chance de trabalhar ter acesso à crianças, adolescentes, jovens adultos, todos da periferia, que tenham poucos ou nenhum sonho relacionado ao futuro profissional. Após uma atividade realizada recentemente pelo o Coletivo Meninas Black Power, me perguntei qual seria a razão de crianças de 10, 12 anos não conseguirem sonhar profissões mirabolantes, imaginar futuros grandiosos ou postos fabulescos (muito comum essa ação quando falamos de crianças!). A imaginação é pura potência, e andar na contramão é tentar ser força estimuladora de sonhos em crianças que vivem a realidade da violência banalizada (violência que nem sempre é explícita, berrada ou anunciada), da escola-depósito, da ofensa gratuita.
      Tenho aprendido muito com meu molequinho. A percepção dele do mundo tem me colocado diariamente em frente a um espelho que amplia minhas ações, minhas falas, minhas caretas. Ele repete o que eu sou e me deixa perplexa diante de minhas falhas. Chance diária pra repensar, me desculpar e me refazer.  

Jaciana Melquiades, mãe do Matias, é historiadora, educadora, empresária e integrante do Coletivo Meninas Black Power.

*SOUZA e SILVA, Jailson de e Barbosa, Jorge Luiz. Encontros e Rupturas entre as facelas e os outros territórios da cidade. In: Favela – alegria e dor na cidade. Rio de Janeiro: Editora SENAC/Rio, 2005

QUEREMOS O #JOVEMNEGROVIVO

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por Grupo de Trabalho Histórico-político

Fonte: Anistia Internacional

      No último domingo, dia 09 de Novembro, a Anistia Internacional lançou a campanha Jovem Negro Vivono Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro. Uma campanha que visa a mobilização da sociedade civil pelo fim do extermínio do povo preto.
       Você deve estar se perguntando: "Por que Jovem NegrO vivo?" A resposta é dada pelos números. Em 32 anos, a taxa de homicídios no Brasil aumentou 148,5%, totalizando mais de 1 milhão e 200 mil vítimas. Esses números ultrapassam as mortes em zonas de guerra, sendo que essas mortes são específicas e não atinge a toda a sociedade brasileira de maneira igual.

Renata Morais, integrante do Coletivo MBP
      Esses números são contabilizados em corpos de jovens com idades entre 15 e 29 anos. Por ano são contabilizados 30 mil homicídios, o que são 82 jovens por dia ou 7 a cada duas horas. A CADA 2 DIAS É COMO SE CAISSE UM AVIÃO SÓ COM JOVENS!
      Dentro desses números, que por si  só já são estarrecedores, 93% são homens e 77% são negros. O que mais choca além desses números que ultrapassam o absurdo é a indiferença com que os milhares de corpos no chão são encarados, ou melhor, invisibilizados.

Karina Vieira e Jessyca Liris, integrantes do Coletivo MBP, em instalação no Largo da Carioca
      Queremos um basta e vamos lutar por isso! Chega de homicídios!  Apoiem esta causa e mostrem que vocês também se importam. Estamos juntos. Assinem o manifesto aqui: https://anistia.org.br/campanhas/jovemnegrovivo.

Querem conhecer melhor os índices? Vejam abaixo os infográficos:


O vídeo da campanha é incrível e impactante. Vejam aqui:

O NEGRO NA TELEVISÃO

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por Nathali Lima
Zózimo Bulbul | Fonte: Google
      A importância da televisão na vida do cidadão brasileiro é inegável. Presente na maioria das casas acabou tornando-se instrumento fundamental na formação cultural do país. Dentre as diversas formas propostas pelo contexto televisivo de entreter, estão as telenovelas. As novelas exibidas na televisão são, de longe, a construção de ficção televisiva que mais desperta interesse no telespectador. Diante de uma sociedade que excluí sistematicamente o negro dos espaços de poder, a televisão não poderia ser diferente. Esse tipo de produção artística é distribuído largamente por todo o país e é consumido por uma grande parcela da população.
      Por sua relevância, é importante levantar a questão da desigualdade racial e a sua falsa inclusão: onde o negro ocupa o lugar de cidadão de segunda classe exercendo um papel rejeitado pelo branco e que acaba, dentro da lógica racista, por legitimar a exclusão estrutural de negros nesses espaços. Entendendo-a como instrumento para manutenção da hegemonia imposta pelo racismo (justamente por ser acessível e presente no cotidiano dos brasileiros) é notável a baixa representatividade negra na televisão e, na grande maioria dos casos, quando inseridos é para fazer uma representação caricata.

Equipe Tá Bom Pra Você? | Fonte: Google
     Nas novelas, os negros encenam, quase sempre, papéis de personagens subalternos ou que não ganham destaque na trama. Sabendo das limitações em oportunidades presentes nesse ramo, podemos imaginar a escassez de trabalho para artistas negros. Em 1964, Isaura Bruno, mulher negra, ganhou notoriedade por seu papel no sucesso televisivo "O Direito de Nascer". O sucesso não garantiu uma carreira estável. Morreu pobre, trabalhando como ambulante. É necessário, para além das exigências que visam garantir a presença do negro em espaços como esses, majoritariamente brancos e racistas em sua raiz, formular espaços que sejam inclusivos, em sua essência, a esse tipo de postura. Felizmente, a internet proporciona a atores, escritores e artistas visuais negros a possibilidade de criação para além do mainstream e das grandes corporações televisivas. Iniciativas como o canal "Tá bom pra você?" ilustram as alternativas presentes para trabalhar o negro e o processo criativo paralelamente com a inserção do negro no cenário televisivo e da grande mídia.
      É importante que esse processo que visa inserir o negro na televisão seja acompanhado de uma visão crítica e da intenção em propor um debate sobre a exclusão dos negros nesses espaços. Tornar essa discussão possível é abrir caminho para que ela torne-se possível em outras esferas da sociedade.      

4 INGREDIENTES NATURAIS PARA USAR COM ATENÇÃO

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por Grupo de Trabalho Moda e Beleza
       Várias crespas usam produtos ou ingredientes naturais na rotina. Eles estão nas misturinhas do cronograma, na hora da umectação e até quando vamos finalizar. Não temos dúvidas sobre os benefícios deles para a saúde dos cabelos crespos e costumamos indicar vários, já que quando usamos o cabelo reage bem. Mas já entendemos como dosá-los? Em que ponto o uso destes ingredientes pode ser prejudicial à saúde dos fios? Já reparamos como o cabelo reage aos mesmos produtos ou ingredientes naturais ao longo do tempo? Pensando nisso, trouxemos uma conversa lá do BGLH. A ideia é prestarmos mais atenção em como estamos usando estes aliados.

1. GLICERINA
É comum vermos comentários sobre glicerina vegetal ou bi-destilada. Como a Kassia explica aqui, a vegetal é extraída de óleos vegetais e a bi-destilada, dependendo da origem, pode ser de origem animal. Está aí um ótimo ingrediente hidratante e umectante. Ajuda a reter a umidade no cabelo seco e também ajuda no condicionamento e fortalecimento. O problema é que, dependendo de como está o clima ambiente, a glicerina pode acelerar o ressecamento. Se há pouca umidade no ar, é possível que ela atraia a umidade dos fios para fora e acentue o ressecamento. Vamos prestar atenção antes de usar a glicerina como componente das misturinhas ou usar produtos que a contenham.

2. ÓLEO DE COCO
A maioria de nós usa este óleo. Ele pode ser um grande condicionador e hidratante para o cabelo e conta com uma longa lista de benefícios a seu favor. Mas, ainda assim, alguém pode ter notado que, ao usar quantidades excessivas de óleo de coco, a fragilidade dos fios aumentou. Algumas naturalistas dizem que o óleo de coco penetra no cabelo e aumenta a retenção de proteína. Neste caso, o excesso de proteína pode causar a tal fragilidade.

3. AZEITE EXTRA
Azeite é outro óleo que é pelo grande potencial de hidratação. Além disso ele pode amaciar, condicionar e turbinar o brilho. Mas algumas naturalistas relatam que o excesso no uso do azeite também faz o cabelo apresentar sinais de fragilidade. Como algumas usam azeite em todas as etapas dos tratamentos e de todas as formas possíveis, é bom prestar atenção na possibilidade de saturação.

4. ÓLEO DE RÍCINO
Também muito conhecido pelos benefícios que proporciona, é lembrado principalmente por espessar os fios e estimular o crescimento (quem não ouviu aquela dica de massagear o couro cabeludo com este óleo?) e ser ótimo antifúngico. É bom lembrar que o óleo de rícino é bastante denso e pode pesar muito em alguns tipos de fio.

       Ressaltamos aqui algo que sempre falamos: cada crespo é único e, assim como produtos cosméticos variam os efeitos entre um crespo e outro, pode acontecer o mesmo com os naturais. O essencial é testar e descobrir ao longo do tempo que produto, misturinha, forma de pentear e etc. nos beneficia mais.

E vocês? O que acham desses produtos? Como usam cada um deles e quais efeitos observam? Compartilhem com a gente!