OCUPA ESCOLA: SÃO AS PALAVRAS DE ORDEM DOS JOVENS

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por Jaciana Melquiades
      Uma reorganização escolar em São Paulo deu início a um movimento de estudantes dispostos a fazer a manutenção de seus espaços educativos. Reorganização é o nome que deram para o fechamento de 94 escolas estaduais. Aqui no Rio, temos um movimento muito pouco anunciado pela grande mídia, mas que está mobilizando milhares de estudantes da rede pública do Rio de Janeiro.
       Os números oficiais da Secretaria de Educação do Estado do Rio apontam 70 escolas ocupadas e as reivindicações são muitas: climatização de todas as salas de aula (promessa antiga do governo Estadual), melhores condições materiais de estudo, diminuição na quantidade de alunos por sala (o que implica no aumento da quantidade de profissionais), dentre outras. Luiz Henrique, ex-estudante do Ensino Médio, 18 anos e atualmente calouro em Filosofia na UERJ, nos fez um panorama deste momento que as escolas estão vivendo bem de dentro desse movimento de estudantes:

"Cresce desde 2013 movimentos feitos por grupos sociais esquecidos. Esses grupos cansados da ordem e da organização desse Estado vão às ruas e lutam por mais direitos e sua permanência, dois anos depois surge um grande fenômeno: os estudantes de São Paulo se organizam para ocupar suas escolas, isso porque algumas delas seriam fechadas e as comunidades escolares se dividiriam em outras. Esse novo corpo estranho, que é a juventude, se mobiliza e ocupa mais de 200 escolas. O movimento passa a barreira de estados e chega no Rio de Janeiro em 2016. As ocupações no Rio têm algumas singularidades que são o reconhecimento das "minorias" e sua forma de atuação - grupo diverso, presente nos corredores de cada escola; a participação dos alunos e alunas nas decisões políticas e estruturais do colégio, as votações para decidirem os seus diretores, a entrada do grêmio, a queda do SAERJ, a abolição do currículo mínimo e outras. Tais movimentações surgem a partir do olhar do jovem para seus pares, da consciência política, da percepção de sujeitos e do conceito de individuo socialA esperança é que essa nova categoria se movimente, lute e resista. É uma "coisa" muito nova para definir seus impactos, mas é um começo. Sigamos na nossa luta por uma nova democracia - ou por um novo conceito dela - que dê e compreenda o direito das mulheres, negros , LGBTS, deficientes físicos e etc. Sigamos."

Luiz Henrique, aluno da UERJ
       Henrique acabou de entrar na UERJ e encontrou a Universidade em estado de greve, num quadro que vem sendo agravado diariamente. Saiu do Ensino Médio, mas segue colaborando com os amigos que estão acampados nas escolas. Nós o Coletivo Meninas Black Power também estamos tentando fazer um acompanhamento, mesmo que virtualmente, do que está acontecendo nas escolas.

Para entender melhor:
SAERJ: O Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro (SAERJ) existe desde 2008 e foi criado com o objetivo de promover uma análise do desempenho dos alunos da rede pública do Rio de Janeiro nas áreas de Língua Portuguesa e Matemática do 4° ano do Ensino Fundamental a 3ª série do Ensino Médio. No entanto a avaliação não respeita as diferentes realidades das escolas Estaduais e seus resultados seriam usados para fins que não têm relação com uma melhora efetiva do ensino público, mas sim uma forma de mascarar a evasão escolar, a educação tecnicista e sem desenvolvimento de pensamento crítico, além de outras criticas que são feitas ao exame.

CURRÍCULO MÍNIMO: o currículo proposto pelo MEC seria decisivo nas pautas a serem debatidas dentro das escolas. Este tipo de permissão pode comprometer a autonomia do professor, as condições de trabalho e não dar conta da diversidade existente em todo território nacional .

Acompanhem e mobilizem também. Vejam mais em: 

PRETA, ACADÊMICA E INTERCAMBISTA

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por Cleissa Regina
Foto: arquivo pessoal
“Desde cedo a mãe da gente fala assim: 'Filho, por você ser preto, você tem que ser duas vezes melhor.' Aí passado alguns anos eu pensei: como fazer duas vezes melhor, se você tá pelo menos cem vezes atrasado pela escravidão, pela história, pelo preconceito, pelos traumas, pelas psicoses... Por tudo que aconteceu? Duas vezes melhor como?” 
– Racionais Mc’s, A vida é Desafio

      A gente sabe que é uma festa quando entramos na universidade. Parece que todos os nossos problemas acabaram e que, com certeza, vamos ter um futuro brilhante. Até aí a universidade parece o melhor lugar do mundo. Mas só parece. Depois de pouco tempo a gente vê que não é assim. Uma realidade estressante, com toda a obrigação de produção acadêmica em massa que não conseguimos cumprir. Frustrante por não nos vermos nas bibliografias e nas pessoas (pessoas?) dos tão respeitados professores-doutores-jovens-cientistas-de-1998 e por ainda sermos objetos e não sujeitos das pesquisas que ocorrem lá dentro; muitas vezes maçante, afinal muitos de nós precisam trabalhar pra se manter e normalmente as universidades são longe dos nossos lares. E, apesar de agora estarmos lá dentro - há muito tempo enquanto mão de obra e hoje, enfim, enquanto graduandos - a academia tem nos contido de várias formas. Com a evasão, com os problemas psicológicos e com a nossa grande ausência na pós-graduação. Ainda me choca ver alguns cursos sendo bastante preenchidos por nós, mas não vendo os pretos (ainda que com ótimo desempenho acadêmico) passarem da graduação ao mestrado. 


Foto: arquivo pessoal
     Como tem sido nossa passagem pela universidade? Como anda a saúde e a autoestima das pretas e pretos universitários? Qual tem sido a realidade das irmãs e dos irmãos formados? Essas são perguntas que precisamos nos fazer sempre, mas, além de perguntas, tenho aprendido que precisamos fazer escolhas. Escolhas que tem a ver com o conselho da mãe do Mano Brown, de tantas outras mães pretas por aí, e que podem nos levar mais longe. Escolhas que, acredito eu, me fizeram estar escrevendo esse texto pra vocês agora, depois de conhecer Harvard, Columbia e outras três universidades americanas num intercâmbio pago pelo Departamento de Estado AmericanoEscolhi sair de um estágio que me pagava bem e entrar de voluntária num grupo de pesquisa até realmente ganhar uma bolsa (que não é lá muita coisa) pra ter uma experiência com o que pretendo fazer futuramente. Escolhi me inscrever em menos matérias a cada semestre pra me dedicar mais em cada um e me sair melhor em cada período. Escolhi voltar para o inglês e realmente dominar a língua, já visando à próxima.
    É óbvio que, além disso, tive pessoas ao meu redor que sempre me mostraram as oportunidades e me encorajaram a tentar. Sei também que falo de um lugar privilegiado por ter tido a possibilidade de fazer essas escolhas, mas ainda assim acredito que várias pretas e pretos podem, além de universitári@s, ser viajadíssimos, e que cada vez mais vamos sim ocupar novos espaços. A viagem foi uma experiência maravilhosa. Pude passar cinco semanas nos Estados Unidos, melhorei meu inglês, cresci pessoal e profissionalmente e aprendi muito sobre a cultura americana e ainda sobre a América Latina. De certa forma, aprendi mais sobre o Brasil também e se eu fosse falar sobre a questão racial lá, daria todo um outro texto, permeado pelas nossas questões daqui. Mas além de tudo isso, viajar me encorajou muito. Coragem que eu tenho visto muitos dos meus pares perdendo durante a passagem pela universidade. Viajar restaurou muitas das minhas aspirações e até fez com elas aumentassem. Quero sim um doutorado, e agora ele bem que pode ser internacional, afinal, se em Harvard tem mais pretos do que na minha universidade, por que eu não poderia estudar lá também? 


Foto: arquivo pessoal
    Enquanto eu não chego nessa parte, quero ver mais pretas e pretos tendo a mesma oportunidade que eu e como sei que tem vários de nós com muita vontade de ter essa experiência, mas não sabem exatamente como, vou dar as dicas que posso. Não é uma receita infalível, mas espero que ajude!

1 - Fique de olho nas oportunidades. Há alguns sites que divulgam oportunidades, mas também é legal sempre olhar a parte de relações internacionais da sua  universidade porque lá pode ter várias oportunidades legais. Fiquem de olho em: Partiu Intercâmbio, Universia, Estudar Fora, Passaporte Mundo 

2 - Pra maioria das oportunidades é preciso ter boas notas. Às vezes pensamos que uma boa nota é 9, mas na verdade é um 7. Então não precisa surtar e vale se arriscar mesmo com uma nota que não seja altíssima, mas é sempre bom se garantir nesse quesito.

3 - Nem todas as oportunidades vão pedir o domínio de outro idioma, mas essa é uma competência importante pra vida e pode ser um critério de desempate, por exemplo. Inglês é o mais comum. A gente acha que nosso nível nunca tá bom, mas a fala é algo que só vai destravar na viagem, o crucial é se garantir na escrita porque normalmente é preciso preencher vários formulários e responder algumas questões em inglês. Nessa hora vale a revisão de uma amiga que saiba muito do idioma. Pra quem não sente minimamente segura com o inglês, tem as bolsas do Santander, que são pra Portugal ou pra países que falam espanhol. Aliás, corram que elas estão abertas agora! É só chegar aqui.

4 - Se a oportunidade for acadêmica, vão pedir uma carta de recomendação de algum professor. Não precisa bancar a "falsiane" e puxar o saco de todo mundo, mas é importante ser mais próxima de alguém que tenha coisas boas pra contar sobre você ou que, pelo menos, esteja disposto a dizer que você é uma boa candidata.

5 - Normalmente atividades extracurriculares não são um pré-requisito, mas são sempre um bom adicional. Como atividade extracurricular conta qualquer coisa fora da sala de aula. Ser monitor, participar de um grupo de pesquisa, participar de um coletivo, fazer grupos de estudos, trabalho voluntário, cuidar dos primos... Tudo depende de como você vai vender seu peixe, de como você conseguiu aprender algo a partir dessa atividade e cresceu com ela.

6 - Esteja disposta a difundir o que você vai aprender com a viagem depois que voltar. É muito mais interessante investir em alguém que vai multiplicar o conhecimento, se a bolsa de estudos for do governo de algum país, por exemplo. Vão querer que você seja capaz de representar a cultura deles aqui.

7 - É preciso se conhecer e ter certeza de que é um boa candidata. Algumas vezes você vai ter que escrever uma carta de intenção ou algo parecido, e nela você precisa saber falar bem de si mesma e mostrar porque você, entre várias outras pessoas, merece ganhar/ser escolhida. Normalmente a gente trava nessa hora, e pode ser bom pedir a ajuda de quem te conhece há muito tempo e que te mostre o que chama mais atenção na sua história.
Espero ver outras pretas e pretos rodando o mundo! Somos diaspóricos, nunca estaremos sozinhos, em nenhum lugar do mundo.

(Atenção! Recadinho das Meninas Black Power: tá rolando uma oportunidade bem boa pra quem quer fazer Inglês. Gratuito e totalmente online, Meninas! Não percam! Todos os detalhes aqui.)

MANTENHA A HIDRATAÇÃO MESMO USANDO PRODUTOS COM SULFATO

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por Élida Aquino

Foto: @sylviagphoto
      Já está comprovado que cada cabelo existe do seu próprio jeito. Apesar de sabermos das desvantagens dos "proibidos", como os que contém sulfato ou parabeno, por exemplo, não podemos ignorar que para muitas crespas ou cacheadas é possível levar uma rotina capilar saudável incluindo esses produtos. 
     Importante dizer: em termos técnicos* o Lauril éter sulfato de sódio é um ingrediente de limpeza adicionado aos shampoos e condicionadores, desengordurante eficaz e o responsável pelas bolhas de sabão que vemos. É exatamente por eliminar com tanta intensidade a oleosidade que se torna prejudicial aos fios crespos e cacheados, já carentes de hidratação natural. Apesar desse currículo, sentir-se confortável com algum produto que contenha sulfato não deve ser motivo de pânico. Abaixo vão algumas dicas básicas e úteis para preservar sua hidratação.

1 – Invista no pré-poo
Velho conhecido de Meninas Black Power! Se vocês estão partindo pro ritual de lavar o cabelo, adicionem mais uns minutinhos e façam algum tratamento antes da aplicação do shampoo. São boas opções aplicar óleos vegetais, manteigas ou fazer misturinhas a partir da noite anterior ou até 30 minutos antes de lavar. Além de começar a promover a hidratação, esse tipo de tratamento reforça a proteção dos fios e dificulta algum ressecamento que possa ser trazido pelo uso do shampoo.

2 – Usem óleos
Apliquem bons óleos depois do shampoo. Turbinar o brilho, selar a hidratação e facilitar na hora de pentear são efeitos desse cuidado. Escolham algum óleo que o cabelo goste, aplique, enxágue rapidamente e continue para o seu tratamento ou condicionador.

Foto: @sylviagphoto
3 – Hidratação power!
Tentem fazer tratamentos de hidratação intensa nos dias em que lavar com shampoo, ainda com as cutículas abertas e prontas para receber todos os benefícios. Usem máscaras puras ou misturinhas, permita a ação por um tempo razoável sobre os fios. Usar touca térmica e outros aparelhos semelhantes ajuda a potencializar esses efeitos.

4 – Método LOC
A forma de finalizar também é importante e o LOC pode ajudar na missão de reter a hidratação que os tratamentos trouxeram. Pra quem não conhece, o método LOC consiste em aplicar Líquido, Óleo e Creme, exatamente nessa sequência, formando camadas. 


       Não esqueçam que essas dicas são baseadas em uma observação geral de como crespos e cacheados se comportam, ok? Sem generalizar. Testem com carinho, respeitando o que o cabelo sinaliza. Não esqueçam de contar aqui se vocês usam produtos com sulfato e as experiências! Será um prazer saber sobre o que rola nas cabeleiras por aí. Beijos! 
Fontes: Black Hair Information | Wikipedia

FAÇA O SEU KILOMBU – MBP ENTREVISTA KIZZY TERRA

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por Élida Aquino

Foto: Cleissa Regina
      Quilombos: pontos de resistência e refúgio para quem não aceitou opressão. Os ideais comuns e senso de unidade de tempos atrás não passaram de nós e continuam valendo. Ainda que com novas armas, seguimos na busca por liberdade plena e fortalecimento para nossa comunidade. 
      A conversa que vocês já vão ler me fez lembrar o incrível Chinua Achebe, inovador da literatura africana, dizendo "se você não gosta da história de alguém, escreva a sua própria". Jovens como nós usam a internet, tecnologia e outras inovações nada estranhas às gerações X e Y para promover resistência, valorização e visibilidade. Além disso, cada vez mais conscientes do nosso poder criativo e das infinitas possibilidades para explorar, temos empreendido. Foi desse jeito que o Coletivo Meninas Black Power conheceu o trio idealizador do aplicativo Kilombu e uma sensacional começou para gerar maiores impactos no nosso mundo. O app foi lançado semanas atrás e não podíamos deixar de falar sobre ele aqui! Chamei a Kizzy Terra, Menina do time e uma rainha, para trocar ideias. O nome dela significa "aquela que veio para ficar" (inspirado no livro Negras Raízes, do Alex Haley) e desejo que a fala realmente fique e inspire muitas de nós, especialmente as que estão de olho em carreiras ligadas à tecnologia e exatas. Aproveitem!

MBP – Começa contando sobre você?
Kizzy Terra – Sou a Kizzy. Tenho 23 anos, nasci em Porto Alegre e há alguns anos vim estudar no Rio.

MBP – Legal saber que veio por causa dos seus estudos. O que estudou e onde?
KT – Estudei no Instituto Militar de Engenharia, o IME. Minha formação foi em Engenharia da Computação.

MBP – O que te fez optar por esse curso, necessariamente pela computação?
KT – Na verdade eu não tinha certeza da computação. No IME o direcionamento é feito depois que começamos. Lidar com a computação chamou minha atenção. Ainda no Ensino Médio conheci e me interessei em fazer o concurso e ingressar no IME.

MBP – Como você descreve a presença de mulheres nesse curso? E de mulheres negras?
KT – A presença de mulheres é maior do que foi em outros tempos, mas nesse espaço [militar] ela ainda não é tanta. A de negras é menor ainda.

MBP – Enquanto mulher negra, você teve grandes desafios nesse período? Pode compartilhar com a gente?
KT – Fazer engenharia em um instituto militar já impõe naturalmente alguns desafios bem conhecidos pelas mulheres que convivem em ambientes majoritariamente masculinos. Particularmente, acho que um dos principais desafios está na desconstrução de estereótipos que se dá já no fato de ocupar estes espaços sendo mulher e negra e ser capaz de me destacar em virtude das minhas habilidades e competências.

MBP – E qual foi seu trabalho de conclusão de curso?
KT – Meu TCC, coincidentemente, foi um aplicativo para Android que visava auxiliar o deslocamento a pé para turistas. Basicamente, a partir de rotas retornadas pelo Google, fazíamos (eu e outros dois colegas) pequenos desvios baseados no interesse do usuário de forma a sugerir uma nova rota a pé incluindo pontos interessantes da cidade (praias, teatros, museus, etc.).


MBP – Agora você faz mestrado, né? Conta um pouco mais sobre essa fase!
KT – Meu mestrado é em Modelagem Matemática da Informação. Fiz essa escolha por gostar de Matemática e também por ter bastante relação com a minha graduação em Engenharia de Computação.

MBP – Conheci você por causa do app Kilombu. Explica pra galera o que é e como funciona?
KT – O Kilombu é um aplicativo para anúncios de negócios e serviços de empreendedoras e empreendedores negros.  O funcionamento é bem simples. Para quem quer contratar um serviço, basta fazer o download e buscar os seus interesses através dos filtros de categoria. Para empreendedoras e empreendedores que desejam cadastrar seus negócios: é só fazer download, criar uma conta pessoal, logar e então criar um cadastro.

MBP – E qual foi a motivação de vocês na criação de um app como este?
KT – A principal razão de criarmos um app assim é dar visibilidade a grande quantidade de empreendedores negros e negras no Brasil, bem como incentivar seu empoderamento através da existência como uma comunidade.

MBP – Além de você a equipe Kilombu conta com mais dois integrantes e eles são homens. Como é ser a única mulher dentro desse contexto?
KT – 
É bem tranquilo. Nossa equipe ainda é pequena e sou bastante próxima dos outros idealizadores. Pretendemos que o Kilombu cresça e quando isso acontecer deixarei de ser a única mulher da equipe.

MBP – Nossa conversa passa diretamente pelo campo da tecnologia, programação e etc. Como vê hoje a inserção de negros, principalmente de mulheres negras, atuando como profissionais dessas áreas?
KT – 
Acredito que no aumento dos últimos anos, mas ainda está muito longe do que pode vir a ser.  Com certeza ainda temos muito espaço a ocupar dentro deste mercado e isso se dará, sem dúvida, através da educação e também dos exemplos positivos.

MBP – O projeto de vocês é super inovador e com certeza vai crescer mais. Já fazem planos pro futuro?
KT – 
Vamos aprimorar muito o aplicativo Android, lançar a tão pedida versão para iOS, estabelecer parcerias interessantes e investir em diversas ações que potencializem os nossos anunciantes. Queremos que os usuários entendam que o Kilombu só tem sentido de existir se eles existirem.

É Android? Baixe o app!
MBP – Interessante falar mais sobre mulheres negras que trabalham com desenvolvimento, programação e outras coisas dentro da tecnologia. Durante o tempo em que transita por esse espaço, encontrou mulheres negras? Pode citar alguma que se destaque?
KT – Não consigo recordar nenhuma mulher negra no Brasil ou outro lugar. A presença de homens negros é bastante rara e a de mulheres negras bem mais.

MBP – Então precisamos mudar isso... O que diria para Meninas que gostem da área tecnológica mas estão em dúvida sobre investir em alguma carreira que se relacione? 
KT – Precisamos de meninas inteligentes e corajosas para ocupar cada vez mais as empresas de tecnologia e todos os espaços que hoje ainda são dominados pelos homens. Tenho certeza que todas tem plenas condições de serem brilhantes nas áreas em que escolherem atuar e quero incentivá-las, de coração, a persistirem na busca de seus sonhos. Por último, não esqueçam: "se sentir medo, vai com medo mesmo!".

MBP – Pra fechar, passa uma lista inspiradora pra gente explorar bastante assuntos como empreendedorismo, tecnologia e desenvolvimento?
KT – Sim! Indico esse podcast com o Flávio Augusto da Silva, os conteúdos produzidos pelo FazInova, site e canal do Conrado Adolpho, o conteúdo desenvolvido pela ONG Think Olga que fala bastante sobre mulheres em tech. Uma lista bacana de livros sobre empreendedorismo: A Startup Enxuta, de Eric Ries; De Zero a Um - o Que Aprender Sobre Empreendedorismo Com o Vale do Silício - Peter Thiel; Faça Acontecer: Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar, Sheryl Sandberg; Motivação 3.0 - Daniel H. Pink.


Ela não é sensacional?  Espero que tenha sido inspirador pra vocês também. Ah! Façam suas indicações se conhecerem mais mulheres negras empreendendo em tecnologia, programação ou desenvolvimento, hein?! Será ótimo conhecê-las e conectar todo mundo num mesmo lugar. Beijos!

ENTRE NÓS - INDICAÇÕES DE LIVROS DE PRETA PRA PRETAS

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por Karina Vieira

      Ontem comecei a ler Guerreiras de natureza: mulher negra, religiosidade e ambiente. Uma fala de Mãe Beata de Yemonja me atravessou: "gotas de água juntas se transformam em chuva". Postei sobre isso em minha página pessoal e algumas meninas (Evy Gonçalves, Maiara Lima e Jéssica Martins) pediram uma listinha de indicações dos livros que fazem diferença ler. Lá vai com bônus de 5.

1. Um defeito de cor - Ana Maria Gonçalves 

Meu livro de cabeceira, já dei ele de presente diversas vezes e está sempre presente em minhas indicações pelo simples motivo de: se você quiser entender um pouquinho da vida das nossas ancestrais, está aí uma oportunidade sem igual. Ana Maria Gonçalves escreve como poucas. Muito amor.

2. Americanah - Chimamanda Ngozi Adichie 

Ifemelu ❤. É a síntese de várias de nós... Nas descobertas capilares, nos desejos internos, nos conflitos que nos fogem, nas escritas intrínsecas e no racismo sofrido cotidianamente. 

3. Guerreiras de natureza: mulher negra, religiosidade e ambiente - organizado por Elisa larkin Nascimento
Com textos de Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, Beatriz Nascimento e muitos outros, Guerreiras faz uma costura primorosa entre ancestralidade, sagrado e mulher negra. recomendação pra estudos e pra vida.

4. Olhos D'água - Conceição Evaristo 

Ler Conceição é quase como ouvi-la falando baixinho. Sabe vó quando penteava nossos cabelos, quando sentávamos no chão, entre suas pernas? É isso. Os contos são duros, violentos, potentes porém recheados de uma doçura e de uma delicadeza que só Conceição Evaristo tem. Prepare o seu coração.

5. Utopias de nós desenhadas a sós - Ana Luiza Pinheiro Flausina

Me apaixonei pela Ana Luiza ao ouvi-la no Seminário Encrespando 2016 que fizemos na PUC-RJ. Poder, eu não consigo pensar em outra palavra pra descrevê-la. As histórias de seu livro seguem essa mesma descrição... Potência, empoderamento, beleza e muita fúria. Apaixonante.

6. Quando me descobri negra - Bianca Santana 

Bianca Santana é de uma delicadeza que me encantou quando a conheci, porém conheci muito mais dela ao lê-la... Quando me descobri negra é um misto de estórias, com histórias e partos, pois sabemos enquanto mulheres negras, que cada história de racismo vivida é como um dor que só sai a força. Micro-histórias com ilustrações incríveis de Mateus Velasco. É uma lindeza só. 

7. Mulher negra homem branco - Gislene Aparecida dos santos 

Gislene pega contos clássicos como Patinho Feio, Cinderela e Gata Borralheira e faz um paralelo com as dores do racismo, a negação do próprio corpo, a mutilação física e psíquica que nós, mulheres negras, muitas vezes passamos até a construção da nossa identidade. Usei na minha monografia e levo pra vida.

8. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil - Sueli Carneiro

Rainha, né, mores? Sueli Carneiro reúne nesse livro uma série de artigo publicados no Correiro Brasiliense entre 1999 e 2010, mostra com dados e estatísticas como e por quais meios o racismo segue tentando nos exterminar dia após dia. Também usei na monografia.

9. Entre o mundo e eu - Ta-Nehisi Coates 

Um dos melhores livros que li em 2015. Ta-Nehisi Coates escreve para seu filho de 15 anos sobre como o racismo age de forma a atacar principalmente o corpo negro e as consequências de ser negro nos dias de hoje. Pungente e apaixonado, me deixou apavorada ao constatar que seja lá nos EUA ou aqui no Brasil, o nosso corpo é alvo. O tempo todo.

10. Se liga no som: as transformações do rap no brasil - Ricardo Teperman  

Ah, o rap! Esse danado ❤. Essa indicação é pra ficar por dentro da cena do rap no brasil, como surgiu, quem foram seus expoentes, qual legado, quem tá na pista hoje e que caminhos o rap ainda vai trilhar. De Racionais a Dalasam. Esse livro é aula.

Prontinho, Meninas. E vocês, o que estão lendo? Já leram esses? Estamos aqui pra trocar! Enviem suas impressões e indicações. 
Vamos adorar saber. Beijos!

POR MAIS REPRESENTATIVIDADE

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por Tainá Almeida


       Nesta semana fomos marcadas em uma publicação em inglês e ao ler só conseguimos ter mais certeza de que a representatividade importa. A matéria que nos citava mostrava uma modelo britânica, presente em duas capas da Vogue Brasil no mês de Fevereiro, depois da realização do Baile de Carnaval da Vogue e toda a discussão sobre apropriação cultural. Ouvimos Glória Maria, a rainha do baile, dizer "o tema do baile é África e com rainha loira não dá. Nem se fosse só a África do Sul. Tem que ter rainha negra pelo menos no baile, já que a gente não consegue ser rainha das coisas normais". Quem diria que tão logo veríamos tal mudança? Assuma, você também pensou que só teríamos uma mulher negra na capa da Vogue lá no mês da consciência negra. Mas a verdade é que ela está aí, em Fevereiro, com cabelo crespo e duas capas! Depois de ver a mudança na Barbie, a mudança na representação de fantasias de personagens negros, será que chegou a vez de vermos a mudança nas revistas de moda? Nós fomos citadas aqui e a tradução está abaixo:

"Não uma, mas duas! Este é o número de capas da Vogue que a Jourdan Dunn está presente. A supermodelo posou para duas capas da Vogue Brasil de Fevereiro/2016 e aparece igualmente fabulosa nas duas. Produzida pela Burberry (grife britânica) e a Osklen, a modelo foi fotografada por Zee Nunes, mas a única coisa que as pessoas ficam falando é sobre seu lindo back power. Isso tem um significado especial porque o movimento do cabelo natural está se tornando popular no Brasil. Existem muitos grupos incentivadores do cabelo natural, incluindo Meninas Black Power, um coletivo que empodera jovens mulheres a adotar seus cabelos naturais.Este movimento também está influenciando o mundo das celebridades. Ano passado Maria Borges entrou na passarela da Victoria’s Secret com o cabelo natural. Isso foi notícia porque foi a primeira vez que uma modelo recebeu permissão para usar o cabelo afro natural. Viola Davis também usou seu cabelo natural no Emmy em 2015, assim como Lupita N’yongo no Oscar de 2014."

SOCIAL MBP EM SÃO PAULO

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     Fomos convidadas pelo Piola Jardins, um restaurante incrível de São Paulo, para fazer uma Social, mais ou menos nos mesmo moldes das que realizamos no Rio de Janeiro. Vocês podem conferir aqui. Um espaço da área nobre que enegrecemos com nossos artistas negros. Tivemos a apresentação do filme Kbela e a vernissage dos artistas Adriano Oliveira, Quilombo Crespo e Matias Melquiades.

Matias Melquiades
 

Depois de meses de pesquisas divertidas e imersões em exposições pelo RJ com a mamãe e o papai, o Matias, nosso fotógrafo-erê, preparou 10 imagens "de tudo o que é bonito", que serão expostas na Social MBP! E ele faz questão de apresentá-las!

Adriano Oliveira


Ao ser convidado a compor o quadro de artistas para expor nessa edição do Social MBP - São Paulo, o artista plástico Adriano Oliveira expressou em sua resposta positiva o sorriso escondido sob o risco delicado do seu lápis. E é essa sensibilidade que ele pretende expressar em seus cinco quadros criados exclusivamente para o tema "Ibejis".



Quilombo Crespo



Um quilombo: lugar de resistência, de luta, de irmandade, de cooperação, de alteridade, de paixão e instinto por vida. Esse Quilombo Crespo é também o olhar. Pelas mãos, olhares e técnica fotográfica de Jessyca Liris e Thales de Lima vai ser possível ver como o tema "Ibejis", nesse Encontro Social MBP - SP, foi manipulado e ganhou vida em imagens.

Kbela


Como sempre um filme que nos captura o olhar e nos deixa sem palavras. Essa é a imagem que acontece toda vez que assistimos a este lindíssimo filme.

     Além disso tudo, tivemos a honra de receber pessoas incríveis e bater um papo ótimo! Sair do Rio de Janeiro e poder conhecer pessoas maravilhosas como as que recebemos no Piola, fez tudo valer a pena. Passem em nossa fanpage para conferir mais imagens!