RECEITA DE LEAVE IN ORGÂNICO DE BABOSA

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por Grupo de Trabalho Moda e Beleza
       Encontrar o leave in perfeito pode ser um desafio para quem tem cabelo crespo natural. Existem tantas linhas de produtos que prometem hidratação e brilho... Antes de investir no próximo produto superpopular, que tal tentar fazer e testar o seu próprio leave in? Você acabou de encontrar uma incrível receita de leave in orgânico e a melhor parte: você só precisa de três ingredientes! Quem pensou que poderia ser tão simples?
         Com aproximadamente 4,5 de pH, a acidez da babosa é uma grande aliada, pois fecha as cutículas do cabelo. A consequência é um cabelo mais macio, menos frizz, além de definição e brilho. A babosa pura é bastante leve e não deixa o cabelo oleoso ou pesado. Também não o deixa com a aparência de estático, sem movimento. Vejam a receita e mais informações:

- Receita
100 ml de água
100 ml de babosa (apenas a porção gelatinosa batida em liquidificador)
10 gotas do óleo essencial de sua preferência.

- Instruções 
         Misture levemente a água e o gel de babosa. Despeje o conteúdo em um borrifador e agite . Adicione o óleo essencial escolhido e agite. Use diariamente ou quantas vezes for necessário para restaurar a suavidade dos fios.

- Benefícios
       Esta mistura dá hidratação aos cabelos, facilita o desembaraçar, define, reduz coceiras e descamação do couro cabeludo, equilibra o pH e é uma boa aposta para redução de oleosidade em cabelos oleosos. E vocês, Meninas? Costumam usar babosa nos cabelos? O que acham? Compartilhem com a gente!

Fonte: Songstress A

SOBRE LIBERDADE

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por Jaciana Melquiades


       Depois que deixei meus cabelos livres de químicas que modificavam a estrutura dos meus fios, me peguei pensando/conversando/refletindo sobre liberdade. Liberdade dos fios de cabelos, sobre o "poder fazer o que quiser com os cabelos", sobre autoconhecimento.
       Entendam que aqui vai a minha percepção, pensada a partir de minha trajetória e experiência pessoal com meus cabelos. Eu usei relaxantes por muito tempo. Mas usei relaxantes com o único pensamento de possuir uma estrutura capilar que eu elegi (com a ajuda da mídia, do racismo, das piadas pejorativas, da autoproteção) como ideal. Passei anos nessa busca. Nunca estava suficientemente boa a forma dos meus "cachos". A raiz precisava de retoques, o fio de mais cachos, os cremes e hidratações tinham que ser milagrosos... E caríssimos. E nunca estava suficientemente bom! Sei que já disse isso, mas era sempre assim: frustrações recorrentes, seguidas e mais certas que o dia. Quando eu olhava fotos anteriores ao momento em que estava vivendo, via beleza... mas no espelho, não.


       Achava ótimo ter um cabelo com etiqueta. No fim das contas, era uma competição: comigo, com amigas, com uma comunidade virtual na qual todas as participantes esbanjavam conhecimentos químico-capilares, dinheiro e cachos (esses eram os mais sonhados e idolatrados!). Eu não me conhecia e mensalmente fazia o mesmo ciclo, a mesma maratona. Sofria a CADA fio perdido: eram menos cachos, dinheiro no lixo, estresse que tomava o dia! Um único pormenor não era levado em consideração: EU NÃO TENHO CACHOS! Nunca tive e nenhuma química seria capaz de me dar isso satisfatoriamente. Percebam: ter cachos definitivamente não é um problema... É lindo! Porém, não é o meu caso. E a busca pelos cachos perfeitos só maltratou meus cabelos e minha autoestima.
       Larguei os relaxamentos. Não foi simples. Pasmem: meu cabelo simplesmente não cai mais! Só faz crescer, pra cima, forte, meu! Ele não brilha, não mostra o crescimento (é preciso que eu pegue uma mecha e estique para ver toda a extensão dos meus fios), não faz cachos, não balança, não, não, não, não, não. Parei com os "nãos" também. Fui aprender o que ele faz e como é que se faz qualquer coisa nele. Larguei também os espelhos distorcidos que eu tinha e que só me faziam ver erro em meus fios! Estou aprendendo muito. Descobri que posso ter os cabelos que eu quiser, mas sobretudo, percebi que meus cabelos são meus e são únicos.


       Penso hoje nos recursos que uma mulher negra de cabelos crespos possui para diversificar seus penteados, usar os cabelos lisos, cacheados, crespos. Escovas, relaxantes naturais, técnicas infinitas de texturização dos fios, tranças. Não vejo nada disso com maus olhos, até uso muitos desses recursos pra modificar meu visual, mas mesmo sem alterar a estrutura dos meus fios, acho importante que esses recursos sejam usados com tranquilidade e que nunca funcionem como meios de "camuflar", "disfarçar" ou esconder a estrutura dos próprios fios. É preciso que entendamos nossos cabelos, a forma ideal de penteá-los para que não se partam e para que a tarefa seja prazerosa. Que o toque em nossos cabelos não nos cause repulsa ou estranhamento, e que o cafuné nos deixe confortável.
        Hoje meus cabelos só podem crescer, pois nada do que uso faz cabelos caírem ou minguarem. Hoje não tenho nenhum receio de tocar meus cabelos na rua, no reflexo do carro... Aliás, não ando mais me olhando em cada carro que passa por mim, pois sei que meus fios estão exatamente onde estavam pela manhã quando me arrumei! Hoje penso que sou livre pra deixar meus cabelos serem plenos e me darem toda a variedade que eles comportam. Aprendi que meus cabelos podem ser minha digital. Troquei a etiqueta pela identidade.

P.S. Todo amor aos meus espelhos.

"BLACK HAIR NOW!" NA NOVA EDIÇÃO DA ESSENCE

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por Grupo de Trabalho Moda e Beleza

        Inspiração tripla e que a cara de Meninas Black Power na capa da edição de beleza da revista ESSENCE (que é norte-americana, direcionada para leitores negros e todo mês lança uma nova inspiração incrível!) disponível no próximo mês. Erykah BaduLedisi e Solange, muito conhecidas por nós, são as divas da vez.  A revista diz que a edição é uma "comemoração da beleza individual, e isso é exatamente o que vem à mente com as três mulheres da capa". Vamos dar uma olhada nas capas e algumas fotos e torcer pra que cheguem logo as outras, né?!




"Beleza se parece com encorajamento, paciência, aceitação, perdão, cuidado e compaixão. A beleza é espiritual e física. " - Erykah Badu

“Eu acho que sou a coisa mais sexy do mundo quando estou no palco. Eu me sinto assim mesmo quando não estou cantando, porque isso vem de dentro. Comecei a me sentir bonita porque eu vim da beleza.” - Ledisi
      Como amamos estas moças, separamos três sons bem MBP para embalar o balanço de nossos crespos por aí. Apertem o play e aproveitem!

 

 


Fotos: Greg Lotus
Fonte: ESSENCE Magazine

MBP TESTOU - YENZAH SOU + CACHOS

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por Grupo de Trabalho Moda e Beleza

Fonte desconhecida

          Hoje a dica é das boas, Meninas! A linha Sou + Cachos foi um super achado e pode ser uma boa aposta para crespos. É criação da Yenzah e pude experimentar três dos seis produtos que a linha apresenta: shampoo ativador (200ml), condicionador ativador (200ml) e creme leave-in ativador suave (240ml). Os outros produtos são creme leave-in ativador forte, gel leave-in ativador e máscara ativadora hidratante. Sobre as texturas, o shampoo é bastante concentrado, não muito aquoso e alcançou bom resultado com apenas uma aplicação; o condicionador apresenta consistência média e é fácil de distribuir; o leave-in, mesmo sendo descrito como suave, possui consistência mais firme que a da maioria dos produtos semelhantes que já experimentei (por isso ajudou bastante na definição da forma) e lembra mousse. 

Foto: Instagram @elidaquino

Vamos às descrições?
- Shampoo ativador: 
    A embalagem descreve "0 sal", observando que não há "adição de sal (cloreto de sódio)", e também lipoprotein (que "retira a oleosidade natural do cabelo da raiz e a distribui pelo comprimento dos fios até as pontas" e é "um composto exclusivamente criado pelo centro de pesquisa e desenvolvimento Yenzah, que reúne liponutrientes e proteínas") e óleo de algodão. Promete ação imediata. Vejam a composição e outras informações abaixo:



- Condicionador ativador: 
       Assim como o shampoo, descreve "0 sal", lipoprotein, óleo de algodão e promete ação imediata. Vejam a composição e outras informações abaixo:


- Creme leave-in ativador - Suave: 
    É sem enxágue e para pentear, também com lipoprotein e óleo de algodãoVejam a composição e outras informações abaixo:


     "Ok. Mas fala do mais importante, Élida! Como ficou a cabeleira?" Calma, calma... Estamos chegando lá. É importante começar dizendo que meu crespo é 4A/4B. Na foto que segue vocês verão o cabelo antes de lavar. Era o meu quinto day after. O processo: antes de lavar umectei com azeite, desembaracei, dividi em 6 partes e parti pra lavagem. Costumo lavar somente a raiz (como aqui neste exemplo) e usar á água com shampoo no comprimento. Após o enxágue apliquei uma nutrição de abóbora utilizando a máscara Seda Keraforce para naturais (veja aqui), condicionei após o enxágue e finalizei utilizando o creme leave-in em quantidade considerável. Apliquei como numa fitagem, mecha por mecha e passando os dedos. Secou naturalmente e depois de seco utilizei óleo de coco caseiro. 
       Não me importo muito com frizz ou definição, mas considero que os produtos obtiveram sucesso nestes quesitos. O que mais curti foi a sensação de maciez e a duração desta sensação. Consegui os meus cinco days after de costume, mantendo o cabelo de um jeito que gosto e com maciez semelhante a dos primeiros dias. Confiram o resultado inicial na foto abaixo.


      Na minha avaliação final, atribuindo valores de 1 a 5 para cada um dos quesitos abaixo, os produtos usados tiveram média 4,75! Não apostei muito no brilho por ter usado o óleo no fim, mas ainda assim vale a pena investir neles. Em compensação, daria 10 para o cheiro. Meninas que gostam de perfumes incríveis que duram bastante, podem investir sem medo. 


      E vocês? Já testaram estes ou outros produtos da linha? O que acharam e como aplicaram?! Compartilhem aqui! Será um prazer aprender com vocês.

MEU CABELO É 4C. E AGORA?

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por Tainá Almeida

      Eu sempre quis cabelo black power. Queria o maior, mais lindo, mais tudo. Pesquisei, lógico. Percebi que meu cabelo deveria ser super parecido com as maiores divas do meu coração: Esperanza Spalding e Erykah Badu. Pensei: Moleza, piece of cake, molengo tengo, tenho minhas divas master como espelhos. Comecei a trajetória crespa, percebi que a teoria é uma coisa, a prática, outra. 
      Nesta sociedade não existe pessoa que esteja preparada para assumir um 4C. Quando pensamos em cabelo crespo, pensamos em mulheres com cachos perfeitos com o diâmetro de um dedo indicador. Não tenho isso. Quando pensamos em cabelo crespo, pensamos em horas a menos na preparação. Não tenho isso. Quando pensamos em cabelo crespo, não pensamos em 4C, mas isso eu tenho. Quando me vi com o grande corte [depois de retirar toda a parte com química e ficar só com o natural] e percebi que meu cabelo não estava nas capas de revista, deu medo, mas eu fiquei firme. Pensei na Esperanza, na Erykah, pensei em toda a liberdade que eu poderia terSó de pensar que eu não precisaria pensar em alisar minha raiz a cada 20 dias, só de pensar que eu não precisaria ficar sufocada com o cheiro do formol, apareceu uma força ancestral que me ajudou a manter meu crespo aqui, rico e finalmente empoderado. Hoje, com um 4C, valorizo meus micro cachos, entendo meu fator encolhimento e acima de tudo, respeito… pois só quem tem um 4C sabe o que é se submeter à vontade do próprio cabelo.
      E agora? Agora é conhecer o cabelo, descobrir que ele gosta de creminhos, óleos, carinhos. Eu descobri que a melhor coisa para o meu crespo é não usar pentes e sim os dedos para desembaraçar. A cada dia é uma descoberta. Como ninguém fala disso, como não temos 4C na mídia, a gente descobre tudo aos poucos. Mas estou longe de desistir!

SEU CONDICIONADOR É EFICAZ?

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por Élida Aquino

Fonte desconhecida

       Sempre encontramos leitoras que buscam produtos perfeitos, sabem? Aqueles mágicos, que garantam máxima hidratação, definição e outros desejos muito comuns entre as crespas naturais por aí. Bem, aqui no Meninas Black Power sempre vamos questionar o desejo intenso por esta perfeição de cachinhos e acreditamos que é muito bom pensar nisso, mas é um tema pra outra conversa. Hoje vamos falar sobre a eficácia dos produtos que escolhemos experimentar, especificamente do condicionador.
       Bem, há uma infinidade de hábitos capilares que as crespas andam colocando em prática. Umas optaram por métodos como no ou low poo e entraram num regime que restringe o uso de produtos por conta da composição, outras só estão mais atentas aos rótulos, mas todo mundo quer mesmo é investir no que proporciona saúde e beleza aos fios, cumprindo o que a embalagem promete. Sobre o condicionador, também conhecemos várias formas de aplicação: após a lavagem com shampoo, após o tratamento (hidratação, nutrição, etc.), fazendo o papel de shampoo para as praticantes de co-wash ou como finalizador mesmo. E o que determina que o condicionador que estamos usando realmente serviu? Pensando nisso nos inspiramos num post do BGLH que aponta quatro resultados básicos, que autora chama de must-haves (algo como "tem que ter", "é indispensável"), no desempenho de um condicionador. Ela ainda acrescenta: "Gostaria de dizer que se seu condicionador falha em qualquer uma dessas quatro áreas, é realmente possível que haja algo melhor lá fora para você." Prontas para os testes?

1.    Sensação de suavidade instantânea
           Um ótimo condicionador funcionará instantaneamente (e eu digo em menos de um segundo) para corrigir a cutícula levemente elevada que o uso de shampoo pode criar. Isso significa que os fios vão de imediato se mostrar suaves ao toque. Se nossos cabelos não parecem mais suaves imediatamente após a aplicação do condicionador, ele não é útil para o uso após a lavagem.

2.     Maciez em longa duração
         Condicionadores são feitos para deixar reservas de nutrientes nos fios e elas são elas que promovem a tal sensação de maciez quando tocamos. Um ótimo condicionador vai resistir ao enxague completo e, portanto, a sensação de maciez durará vários dias (cerca de três dias), se não lavarmos de novo antes do fim deste período.

3.     Elasticidade para os fios
           Condicionadores agem na restauração, devolvendo a umidade aos cabelos. Isto se deve, em parte, a entrada da água e adição de pequenos ingredientes (proteínas hidrolisadas, por exemplo) que também podem carregar água. Eles devem reparar a superfície da cutícula para retardar a perda de umidade com o passar dos dias. Um dos resultados que define este processo é que o cabelo depois de condicionado ganhe excelente elasticidade. Para cachos que tendem a ficar juntinhos (como é o caso do tipo 4) isto pode ser indesejável, por causa do fator encolhimento, mas cachos mais soltos terão a capacidade de esticar sem quebrar ou necessitar de força excessiva, tornando o cabelo mais fácil de pentear.

4.    Cabelos menos embaraçados
          Se escolhermos desembaraçar o cabelo no momento em que aplicamos o condicionador, a tarefa deve ser muito fácil. A combinação dos três efeitos anteriores (suavidade, maciez e alta elasticidade) tornará o ato de pentear indolor e de nada cansativo. É bom lembrar que se o condicionador for rico em ingredientes que facilitam o deslizamento (tipo óleos e silicones devemos ficar atentas ao excesso de pentear o cabelo, já que os fios vão exigir menos esforço para desembaraçar enquanto envolvidos no condicionador  e isso pode ser prejudicial.

       E aí? Descobriram se o condicionador que estão usando é bom mesmo? Compartilhem com a gente!

ACHEI VOCÊ, CLEMENTINA!

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por Élida Aquino

Foto: Pedro Murad

       Era um dia normal moderando a página. Fotos de lá, links de cá e, de repente, surge a dica: musical "Clementina, Cadê Você?", de volta ao Rio em curtíssima temporada popular, no Teatro João Caetano. Vibrei, mesmo sem saber o que acontecia por lá, e tratei de avisar pras Meninas todas. Lógico! Como não achar sensacional a ideia de ver uma mulher preta como eu, tão relevante na história do samba, tão pouco comentada e honrada na atualidade, ocupando o palco? Me digam? Fiquei ainda mais entusiasmada por querer conhecer mais dela e, quem sabe, absorver qualquer pontinha de inspiração.
  Facebook já havia avisado: "O espetáculo musical "Clementina, Cadê Você?"é uma justa e bela homenagem à saudosa Quelé, um dos mais importantes nomes da música popular brasileira." Acreditei e fui lá conferir. No último domingo (09/02), com meu cúmplice de odisseias culturais. Começou e de cara os seis atores em cena (Ana Carbatti, Bruno Barreto, Bruno Quixotte, Sergio Kauffmann, Vidal Assis e Wendell Bendelack) "musicaram" tudo. Não consegui parar de sorrir desde então. A qualidade musical é um ponto forte, se estende por toda a apresentação e vem em forma de interpretação de canções belíssimas (aproveito para parabenizar os atores, extremamente talentosos, que cantam e tocam tão bem quanto atuam) e eles vão das declarações sobre a infância, personalidade, fé, Mangueira, samba, amor, até a descoberta como cantora e a participação no Rosa de Ouro.
    Convidei o namorado Leandro Joaquim, super amante do samba, para dar a opinião masculina e inspirar outros meninos. Ele conta: "Era mais um domingão qualquer de 40 graus, clima cordialmente escaldante, e eu procurava opções de divertimento para desfrutar com a minha nobre moça. Fiquei inclinado a conferir algum filme indicado ao Oscar, porém o convite da minha digníssima para assistir Dona Clementina atiçou a curiosidade cultural. Pois bem, aceitei prontamente e fui. Espetacular do começo ao fim de uma hora e trinta minutos de espetáculo! A história da fenomenal Clementina é contada com riqueza de através da maravilhosa interpretação de Ana Carbatti e dos cinco ''músico-atores''. "Clementina, Cadê Você?" é uma obra-prima teatral e tornou o nosso domingo ainda mais lindo. Obrigado, rainha do partido alto!".

Foto: Pedro Murad
   
     Quando me perguntam o que mais admirei, digo que foi a transmissão pura, carregada de simplicidade e ao mesmo tempo luxuosa (já que a beleza da iluminação, figurino e Adriana não consegue passar despercebida), da intrepidez e sensibilidade que ela trazia. Era uma nêga de opinião, mas doce, doce... Tanto doce que transbordava em música. Música incrível. É por isso que ainda estou anestesiada pelo que vi e ouvi no domingo... Só posso tentar expressar num singelo “muito obrigada” minha gratidão aos envolvidos com esta obra genial e útil, de resgate e reconhecimento. Foi um espelho pra mim. Pra vocês que estão pelo Rio, fica o convite! Não percam a chance de ver de pertinho. Vai até o dia 23/02, aos fins de semana (Sexta e Sábado às 20h, Domingo às 19h30) no Teatro João Caetano (Praça Tiradentes, s/n, Centro - Rio de Janeiro. Telefones: (21) 23329166, 23329258 e para a bilheteria: 23329257).

Foto: Pedro Murad
       De Valença para Osvaldo Cruz e o surgimento da Portela, depois pra Mangueira e muito amor à Verde-e-Rosa. Sempre do samba. Defensora e guardiã da ancestralidade, traduziu no canto o "ser África" e como guarda-la viva no coração e nas tradições. Descoberta aos 63? É só um detalhe. Minha vó diz que "quem é bom já nasce pronto" e foi assim. Humildade, ternura e garra. Clementina, Tina, Quelé, Rainha Ginga, Mãe ou o que couber dizer, inspiração é o que não falta pra gente, mulher preta jovem, copiar pra vida. Ainda bem que deu tempo de encontra-la! Salve especial e cheio de carinho para todas as matriarcas que nos deixam exemplos bons pra seguir.
      Encerro com as palavras de denúncia que Quelé registrou no samba "Assim não, Zambi". Que inspire vocês como inspirou a mim.
"... Eu não quero essa vida não, Zambi
Ninguém quer essa vida assim não, Zambi
Eu não quero as crianças roubando
A véinha esmolando uma xepa na feira
Eu não quero esse medo estampado
Na cara duns nêgo sem eira nem beira
Abre as cadeias pros inocentes
Dá liberdade pros homens de opinião
Quando um nêgo tá morto de fome
Um outro não tem o que comer
Quando um nêgo tá num pau-de-arara
Tem nêgo penando num outro sofrer..."