POR MAIS REPRESENTATIVIDADE

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por Tainá Almeida

Nesta semana fomos marcadas em uma publicação em inglês e ao ler só conseguimos ter mais certeza de que a representatividade importa. A matéria que nos citava mostrava uma modelo britânica, presente em duas capas da Vogue Brasil no mês de fevereiro. Depois da realização do Baile de Carnaval da Vogue, toda a discussão sobre apropriação cultural. Depois de ouvirmos Glória Maria, a Rainha do Baile dizer "O tema do baile é África e com rainha loira não dá. Nem se fosse só a África do Sul. Tem que ter rainha negra pelo menos no baile, já que a gente não consegue ser rainha das coisas normais". Quem diria que tão logo veríamos tal mudança? Assuma, você também pensou que só teríamos uma mulher negra na capa da Vogue lá no mês da consciência negra. Mas a verdade é que ela está aí, no mês de fevereiro e com cabelo crespo e com duas capas!!! Depois de ver a mudança na Barbie, a mudança na representação de fantasias de personagens negros, será que chegou a vez de vermos a mudança nas revistas de moda?


 Nós fomos citadas aqui com tradução abaixo


"Não uma, mas duas! Este é o número de capas da Vogue que a Jourdan Dunn está presente.
A supermodelo posou para duas capas da Vogue Brasil de Fevereiro/2016 e aparece igualmente fabulosa nas duas. Produzida pela Burberry (grife britânica) e a Osklen, a modelo foi fotografada por Zee Nunes, mas a única coisa que as pessoas ficam falando é sobre seu lindo back power.
Isso tem um significado especial porque o movimento do cabelo natural está se tornando popular no Brasil. Existem muitos grupos incentivadores do cabelo natural, incluindo Meninas Black Power, um coletivo que empodera jovens mulheres a adotar seus cabelos naturais.
Este movimento também está influenciando o mundo das celebridades. Ano passado Maria Borges entrou na passarela da Victoria’s Secret com o cabelo natural. Isso foi notícia porque foi a primeira vez que uma modelo recebeu permissão para usar o cabelo afro natural. Viola Davis também usou seu cabelo natural no Emmy em 2015, assim como Lupita N’yongo no Oscar de 2014.

SOCIAL MBP EM SÃO PAULO

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por Tainá Almeida

Fomos convidadas pelo Piola Jardins, um restaurante incrível de São Paulo, para fazer uma Social, mais ou menos nos mesmo moldes das que realizamos no Rio de Janeiro. (Vocês podem conferir aqui). Um espaço da área nobre que enegrecemos com nossos artistas negros. 

Tivemos a apresentação do filme Kbela e a vernissage dos artistas Adriano Oliveira, Quilombo Crespo e Matias Melquiades.

Matias Melquiades
 
Depois de meses de pesquisas divertidas e imersões em exposições pelo RJ com a mamãe e o papai, o Matias, nosso fotógrafo-erê, preparou 10 imagens "de tudo o que é bonito", que serão expostas na Social MBP! E ele faz questão de apresentá-las!




Adriano Oliveira

 
Ao ser convidado a compor o quadro de artistas para expor nessa edição do Social MBP - São Paulo, o Artista Plástico Adriano Oliveira expressou em sua resposta positiva o sorriso escondido sob o risco delicado do seu lápis.
E é essa sensibilidade que ele pretende expressar em seus cinco quadros criados exclusivamente para o tema "Ibejis".





 Quilombo Crespo


Um Quilombo: lugar de resistência, de luta, de irmandade, de cooperação, de alteridade, de paixão e instinto por vida.
Esse Quilombo Crespo, que é Quilombo por isso tudo, é também o Olhar.
Pelas mãos, olhares e técnica fotográfica de Jessyca Liris e Thales de Lima vai ser possível ver como o tema "Ibejis", nesse Encontro Social MBP - SP, foi manipulado e ganhou vida em imagens.


Kbela 

Como sempre um filme que nos captura o olhar e nos deixa sem palavras. Essa é a imagem que acontece toda vez que assistimos a este lindíssimo filme.


Além disso tudo, tivemos a honra de receber pessoas incríveis e bater um papo ótimo!!!
Sair do Rio de Janeiro e poder conhecer pessoas maravilhosas como as que recebemos no Piola, fez tudo valer a pena.

Passem em nossa fanpage para conferir mais imagens!!



CONHEÇA AS 21 EMPREENDEDORAS NEGRAS DA LISTA #30ABAIXODOS30 DA FORBES E A IMPORTÂNCIA DA MULHER NEGRA EMPREENDENDO

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por Élida Aquino


   Há aproximadamente um ano decidi empreender e comecei minha primeira startup, a Afrô. Independente dos desafios que se apresentam, é incrível começar algo só seu, especialmente quando sua ideia é forte e você sabe que vai poder fazer muito mais do que ganhar dinheiro através dela. Todo esse processo me mostra a importância de iniciativas empreendedoras e inovadoras dentro da comunidade negra, especialmente entre jovens e mais especialmente ainda entre mulheres negras. Em 2015 soubemos que a maior parte dos empreendedores brasileiros é negra e que a maior parte dos empreendedores negros é feita de mulheres negras. Que bom! Fortalecer a autoestima, gerar independência e ascensão econômica, nos reposicionar na pirâmide do sucesso e criar alternativas lucrativas para driblar o sistema que normalmente nos rejeita mesmo quando somos competentes o bastante, são fatores de uma lista enorme de vantagens que dão sentido ao que fazemos. Não é fácil, várias barreiras se apresentam quando a gente decide inovar e falar em nosso próprio nome - como é o caso da Thainá Sagrado, essa maravilhosa idealizadora da Themba, e outras blogueiras de periferia distantes dos holofotes que falaram aqui - mas se a gente não fizer, ninguém fará em nosso lugar.
         A Forbes, revista dos EUA sobre negócios e economia, publica há alguns anos a lista #30under30, com jovens que se destacaram ao redor do mundo empreendendo em várias categorias. A lista de 2016 saiu dias atrás. 20 categorias, 30 jovens em cada uma delas. Sim, abri todos os links, analisei cada categoria. Meu coração batia mais forte e se sentia mais impulsionado cada vez que os olhos viam pessoas como eu, suas ideias lindas e pioneiras. Adoro me identificar, principalmente em casos de sucesso. Temos repetido sempre que "representação e representatividade importam", mas relembro o valor dessa importância: ver um corpo como o seu remodelando a lógica, saindo do lugar que esperavam que ele ocupasse, fazendo coisas grandiosas, é a prova de que o seu também pode ir. No ano passado recebemos um presente semelhante: o Coletivo Meninas Black Power, Jaciana Melquiades - que arrasou e trouxe o prêmio da categoria Conhecimento pra casa! - e eu fomos indicadas ao Prêmio Movimentos Criativos, iniciativa genial que aconteceu durante a última Feira Preta. Ficamos dentro dessa lista que indicava 77 jovens negras e negros que estão criando e reformando as coisas por aqui. 
      Em tempos de reflexões intensas sobre como somos maiores que os esteriótipos que nos perseguem, vale muito notar um grande movimento acontecendo, o exercício do nosso poder de inspirar e potencializar gente como nós a romper limites, ver várias e vários de nós se destacando. Por isso reli a lista da Forbes algumas vezes. Ver jovens negras e negros lá, principalmente as 20 meninas, me lembra do quanto podemos ser e fazer. Quero que você que está lendo saiba: não importa se não chegou aos 30 ou se já passou por eles, aproveita esse início de ano pra pensar em como tirar suas ideias boas do papel e seja parte disso. Reescreve a história também. Abaixo as 20 rainhas que marcaram essa lista e suas ideias de negócio que merecem ser conhecidas.  É o poder! Inspirem-se.

ARTE E ESTILO
Azede Jean-Pierre, 27
Designer de moda, Azede Jean-Pierre
É haitiana e cresceu em Atlanta, EUA. Começou a grife que leva seu nome em 2012. Michelle Obama usou um de seus vestidos na capa da Essence e Solange Knowles é uma grande fã. Lembra daquele conjunto com estampa de formigas? Então, ideia dela.  

Madison Maxey, 22
Designer de moda, The Crated
Muito sinistra! Primeira designer de moda escolhida para o prêmio da The Thiel Fellowship. Em 2013 fundou The Crated: estúdio de design + engenharia que cria roupas que unem moda e tecnologia. O vestido preto financiado pela Google e desenhado pelo famoso designer Zac Posen, com luzes LED multicoloridas na composição, é uma obra famosa. Vejam mais sobre ela em www.madisonmaxey.com.

CINEMA E TV
Zendaya, 19
Atriz e cantora
Começou a carreira no programa "Shake It Up" do canal Disney e lançou o primeiro álbum em 2013. Tem uma linha de sapatos, álbum produzido por ninguém mais que Timbaland e cerca de 36 milhões de seguidores e uma Barbie própria no currículo.

EDUCAÇÃO
Constance Iloh, 28
Chanceler de pós-doutorado, Universidade da Califórnia, Faculdade de Educação Irvine 
Professora assistente na Irvine, apresentou seu trabalho na edição 2015 do prêmio Black Excellence na categoria Ensino Superior, sob patrocínio da Casa Branca. Agora ela é orientadora no pós-doutorado.

EMPREENDEDORISMO SOCIAL
Alexandria Lafci, 26
Co-fundadora, New Story 
New History promove a construção de casas para famílias de países em desenvolvimento. Já construíram 151 casas no Haiti. A organização preza pela transparência - as pessoas sabem para onde vão suas doações. Receberam mais de 1,2 milhões de dólares em doações desde o ano passado.

Catherine Mahugu, 27
Fundadora, Soko 
A Soko conecta cerca de 1000 artesãos subsaarianos que trabalham joalheria com o mundo, gerando sustentabilidade para quem faz. Dois meses depois do início da rede, a renda de artesãs e artesãos quadruplicou. A marca vende os produtos online - e lá é possível conhecer cada artesã e artesão que cria as peças - também em lojas como Nordstrom e Anthropologie.


Nedgine Paul, 29
Co-fundadora, Anseye Pou Ayiti 
43% da população do Haiti está abaixo dos 15 anos. Por isso ela criou a Anseye Pou Ayiti, empresa que trabalha para elevar os resultados da educação em áreas desfavorecidas do país, recrutando e formando professores locais para as escolas que já existem.

ESPORTES
Mo'ne Davis, 14
Jogadora de beisebol, Little League 
Uma das duas meninas a jogar na Little League World Series em 2014 e é a primeiro em muitas coisas: a primeira menina a vencer e lançar um shutout na história da Little League World Series, a primeira menina afro-americana a jogar na Little League World Series, a primeira jogadora da liga a aparecer na capa da Sports Illustrated.

JUSTIÇA
Habem Girma, 27
Procuradora, Defensoria do direito dos deficientes 
Primeira advogada surda e cega formada em Harvard. Foi homenageado na Casa Branca 25º aniversário da ADA, organização que trabalha pelos direitos dos deficientes. Ajudou a conseguir uma vitória legal na Federação Nacional dos Cegos. Ela é uma advogada da equipe dos Defensores dos Direitos dos Deficientes. Possui formação complementar na Universidade Lewis and Clark também. 

MANUFATURA E INDÚSTRIA
Jewel Burks, 26
Co-fundadora, Partpic
Criada em um família de empreendedores, Burks começou sua carreira na Google. Depois do diagnóstico de câncer de mama de sua avó, voltou para Atlanta. Lá trabalhou na McMaster-Carr, grande ditribuidora de peças industriais nos EUA, mas era tudo diferente do que ela estava acostumada e ela pensou em otimizar esse meio. Assim a PartPic nasceu. Ela co-fundou a empresa com Jason Crain, outro ex-Google. A dupla já levantou 1,5 milhões de dólares até agora, mas a maior experiência foi encontrar o Presidente Obama o primeiro Demo Day promovido pela Casa Branca.

Nailah Ellis-Brown, 28
Há seis anos ela morava no porão da casa da mãe e vendia uma antiga receita e chá criada por sua família jamaicana usando o porta-malas de seu carro. Um investidor secreto injetou 150.000 usados na criação de uma fábrica de engarrafamento - e as garrafas são fofas demais! - em Detroit. Agora ela vende seu chá tradicional para grandes lojas nos EUA.

MÍDIA
Morgan DeBaun, 25
Co-fundadora, Blavity
Que espaço incrível o Blavity! O negócio começou considerando que jovens negras e negros são mais de 40% da geração Y e não veem suas histórias contadas na mídia mainstream. Blavity é uma plataforma focada nesse público. Fundado em 2014, já possui extensões voltadas para o lifestyle.

Zim Ugochukwu, 27
Fundadora, Travel Noire
Adora viajar?! Então corre agora pra conhecer o Travel Noire, morrer de amores com as fotos e planejar o próximo "rolê" pelo mundo. Ela começou o negócio em 2013, depois de lutar para encontrar imagens de jovens negros viajantes como ela mesma no Instagram. Cada vez mais famoso na mídia social, o Travel já reúne mais de 180.000 seguidores do Instagram, ferramentas e dicas para tornar a viagem mais fácil e um programa semanal sobre o tema, Travel Noire TV. Ela está na vanguarda do que está chama de "movimento viajante negro".


Heben Nigatu, 24
Editora sênior, BuzzFeed
BuzzFeed é tendência no Brasil e no mundo (e há alguns dias atrás o nosso Matias apareceu na versão brazuca do site, hein?!). Heben é uma das apresentaoras do Another Round, famoso podcast. O show, que milhares de ouvintes, já exibiu convidados super famosos, tipo Hillary Clinton.


Doreen St. Félix, 23
Editora convidada, Lenny Letter
Parte da equipe da recente Lenny Letter, que atingiu 400.000 assinantes. Também escreve para The New Yorker, The New York Times, n+1, Pitchfork, Wags Revue e outros e foi consultora no piloto Código de Conduta, de Steve McQueen, no canal HBO.



Anjelica Nwandu, 25
Fundadora, The Shade Room
Revolucionou o munda das fofocas sobre celebridades com o The Shade Room, apelidao pelo New York Times como "o TMZ do Instagram." Atualmente possui 2,5 milhões de seguidores.



Kimberly Foster, 26
Fundadora, For Harriet
Assim que vi o For Harriet na lista mandei essa mensagem: "Meninas, só quero agradecer. Vocês fizeram! Estou orgulhosa por ver o que está acontecendo com as mulheres negras em todo o mundo ... Incrível!". Se você ainda não leu nenhum texto delas, vai lá. Kimberly começou essa comunidade online para mulheres negras quando ainda era estudante em Harvard. Ela é fundadora e editora-chefe, vive pela rede procurando mulheres negras que possam fazer parte do time.


MÚSICA
Kehlani, 20
Musicista
Outra dica boa dessa lista. Se você ainda não colocou essa moça pra tocar na sua vida, segue aqui no SoundCloud. Vale a pena. Foi uma das finalistas do  America’s Got Talent em 2011. Quatro anos depois assinou um contrato com a Atlantic Records e hoje já gravou com vários nomes da cena atual do Rap e RnB.



VAREJO E E-COMMERCE
Kelechi Anyadiegwu, 26
Fundadora, Zuvaa
A empresária nigeriana-americana ficou frustrada ao não encontrar roupas e acessórios de inspiração africana na moda que ela podia acessar. Criou um espaço de e-commerce para que criadores da diáspora que fazem moda a partir de África possam mostrar e vender seus trabalhos. Gente! Por favor! Cada roupa maravilhosa... Conheçam.

Candace Mitchell, 28
Co-fundadora, Techturized, Inc.
Com a co-fundadora Chanel Martin, também mulher negra  e engenheira graduada na Georgia Tech, ela está usando a tecnologia para revolucionar o mercado afro-americano de cuidados com o cabelo que movimenta 3 bilhões de dólares. Criou Myvana, aplicativo móvel de inteligência em cuidados com o cabelo de mulheres negras que conecta consumidoras e cabeleireiros especialistas, além de formar uma comunidade onde é possível compartilhar fotos e dicas.

Christine Souffrant, 26
Fundadora, Vendedy
Ela já recebeu o famoso prêmio Millennium Scholarship concedido pela Fundação Gates. Essa haitiana está trabalhando para digitalizar a economia do mercado rua e conta com a parceria de empresas como Micrisoft e IBM. Apenas.

Que essa pequena amostra de mulheres capazes impulsione várias. Aproveito e mando um beijo especial paras as empreendedoras que fazem parte ou já passaram pelo Coletivo Meninas Black Power, possibilitando tanto através de seus incentivos e recursos. E você? Conhece empreendedoras incríveis também?! Conta pra gente! Aqui nos comentários, lá na página ou no Instagram. Será um prazer conhecer.

MAQUIAGEM E EMBRANQUECIMENTO

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por Maiah Lunas

         Há um tempo venho pensando sobre essas técnicas de maquiagem e como elas se dão com as meninas negras, de como muitas vezes a nossa beleza nos é negada através de coisas que nem percebemos. Embora eu não seja dessas meninas que usa maquiagem, e o máximo que me veem usando é batom e lápis. Passei uma tarde assistindo mil vídeos ensinando técnicas de maquiagens ditas ótimas para peles “morenas e negras” - não vou nem levar em conta a pigmentocracia presente em todos os vídeos que é pra não perder o foco do momento.
         A primeira dificuldade de uma menina preta para se maquiar é achar a base, o corretivo e todas essas coisas no tom correto para sua pele e não ficar parecendo um fantasma com uma máscara branca. Aqui no Brasil, infelizmente, quase não temos lojas focadas em vender produtos específicos para pele negra. Mas aí vamos supor que de alguma forma - quase milagrosa - eu consegui uma loja que tinha todos os tons de base, que achei o certo para mim e fui assistir os vídeos para poder aprender várias dicas “legais”.

         O primeiro vídeo que assisti, me deparei com a seguinte frase do maquiador: “Vou usar uma técnica de 3 tons de base para conseguir uma harmonia melhor para o rosto dela (se referindo a modelo negra que ele estava maquiando)”. A primeira pergunta que me veio na cabeça era, o que ele queria dizer com harmonizar o rosto dela? Será que ele tem que ser harmonizado? Em outro vídeo, o mesmo tipo de fala: “Estou usando 2 tons de base e o mais claro é sempre para realçar o que tem de melhor no rosto dela”. As perguntas na minha cabeça só cresceram, porque o que eu via era a maquiadora clareando cada vez mais o rosto da modelo. Além disso, os vídeos que achei eram todos de maquiadores brancos maquiando modelos negras.




    No entanto, o que mais me incomoda e o que gerou todo esse meu questionamento sobre maquiagem para pele negra é o fato de sempre ensinarem uma técnica de afinar o nariz. E se eu não quiser afinar o meu nariz? E se eu gostar do meu nariz do jeito que ele é, assim grosso mesmo? Na hora que me fiz todas essas perguntas, lembrei do livro Tornar-se Negro e de uma passagem dele: “É a autoridade da estética branca quem define o belo e sua contraparte, o feio, nesta nossa sociedade classista, onde os lugares de poder e tomada de decisões são ocupados hegemonicamente por brancos. Ela é quem afirma: “o negro é o outro do belo”. É esta mesma autoridade quem conquista, de negros e brancos, o consenso legitimador dos padrões ideológicos que discriminam uns em detrimento de outros.” (Sousa, Neusa Santos. Tornar-se negro:as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. 1983. p.29.) Assim, a beleza da mulher negra é negada e sem que nós mesmas percebamos vamos passando por mil processos de embranquecimento – alisando o cabelo, afinando o nariz -  na busca de algo que não é nosso acreditando que embranquecer pode facilitar a nossa entrada em alguns lugares. Quando na verdade, embranquecer só nos causa mais dor. O que quero mostrar com isso é a necessidade de nos empoderarmos e tornamos consciente de nossa negritude e beleza. O intuito de minha reflexão é tão somente o de chamar a nossa atenção para coisas que as vezes são de nosso cotidiano – levando em conta que nem toda mulher gosta de maquiagem, mas que independe de ser através da maquiagem ou não, pode passar por algum processo de embranquecimento – que devemos questionar e desconstruir para deixarmos de naturalizar os padrões estéticos brancos que nos são impostos.

Maiah Lunas, estudante de ciências sociais, membro do coletivos de negrxs 
da UFF e Renafro.

O MOVIMENTO EM MIM

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por Jaciana Melquiades

Foto: Thales de Lima

      A branquitude confere unidade. Fiquei horas pensando em termos diferentes estabelecidos, catalogados pelo IBGE pra classificar pessoas autodeclaradas brancas. Não tem. Branco é branco. A branquitude, além de uma série de privilégios, confere unidade. A estrutura racista socialmente construída fortalece ainda essa unidade. A branquitude sabe o número do navio de onde veio, sabe o sobrenome dos antepassados até as gerações mais distantes. A branquitude permite. Ponto. Têm os descendentes dessa ou daquela etnia, têm os dessa ou daquela região, mas, aqui no Brasil, branco é branco. O poder que a branquitude confere não permitiria que fosse diferente. O poder que a branquitude oferece faz com que ninguém pesquise, por exemplo, os efeitos do racismo no racista. Como o pensamento do racista funciona? Quais os efeitos psicológicos do racismo no racista? Os objetos de estudos somos sempre nós. A branquitude estabelece o padrão, não importa quais sejam as diferenças internas. 
      Em comparação fiquei remoendo as dores que a negritude nos causa. Digo remoendo pois estou há dias com um nó na garganta pensando no quanto mulheres e homens, negras e negros, não têm um elemento agregador. Pelo menos não consegui pensar em um elemento agregador positivo. Pensei nas centenas de termos que usam para definir homens e mulheres negros e negras. Só no IBGE, de forma oficial, são três: pardo, preto e negro. Socialmente temos outros infinitos que seria impossível listar. A mesma estrutura racista os desagrega e faz com que as diferenças internas sejam maiores que o fator que deveria nos torna unidade: a negritude. Somos "a preta que lacra", "morenas", "mulatas", a "neguinha favelada", a "mulata tipo exportação", palmiteiro, "a solitária", "marrom bombom", "escuro", "pardo" e mais uma centena de definições que acabam por superar a negritude. Estou remoendo aqui um monte de dúvidas, mas principalmente um monte de medos. Mulheres e homens vêm tentando costurar e remendar a negritude faz tempo, fazem isso de formas muito diferentes e todas são fundamentais... pelo menos tem sido na minha formação enquanto mulher preta. As pretas que estão na universidade, a tia que toma conta das crianças na favela, a moça que faz o vídeo sobre cabelo, cara que fala de moda, quem vai pra manifestação, quem vai pra escolas, todas e todos. Se me vejo me forma e só agradeço por isso. Movimento me parece isso: estar em todos os lugares.

#FALANDODETRANSIÇÃO: DA QUÍMICA AO NATURAL EM 7 PASSOS

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por Élida Aquino

Foto: Nate White
      Usei relaxante a maior parte do tempo em que apliquei químicas. Dos três aos dezoito anos, basicamente. Eu sei, é um passo enorme entrar em transição se seu cabelo é religiosamente quimicado a cada dois ou três meses. Você vê um pouco de raiz crescida e pensa automaticamente que "é hora de fazer o cabelo"; nota a raiz bem maior, congela diante do volume natural, acha que não tem jeito pra "esse cabelo" e a primeira vontade que vem é a de relaxar ou alisar ou qualquer coisa que mude o quadro; resiste, se vira, mas quando dá de cara com a diferença gritante entre as texturas e o medo de perder seu amado comprimento, correr pra química mais próxima parece a primeira opção. Te entendo. Foi assim comigo. Até desisti da transição e comecei com "sustinhos", só para "abrir os cachos". Depois de entender meus motivos para romper com tudo isso e perceber que minha textura natural era idêntica à textura com química, consegui completar o ciclo. Mesmo não sendo simples e pedindo uma nova forma de pensar você como um todo, deixar procedimentos químicos não é uma missão impossível e existem opções que tornam a caminhada mais leve. Esse post é uma mistura das minhas experiências pessoais e coisas que li. Bom ressaltar: não é um ataque a quem usa química, ok? A ideia é auxiliar quem opta pelo natural.
      Bem, existem duas opções básicas para ir da química ao natural: a transição, fazendo cortes eventuais (ou não) enquanto o cabelo natural cresce; o Big Chop, quando toda a química é retirada de vez com o corte, independente do comprimento do cabelo natural. Qual a melhor? Você decide! Não há um jeito certo e o que importa é como você se sente mais confortável, também como seu cabelo estará durante e ao fim do processo. É importante saber que a transição apresenta desafios além dos que citei acima: você pode lidar com pontas duplas, diferença de texturas, talvez quebra entre a parte com química e a natural, etc. Não desista. 

Mais sobre transição:
Você já entendeu que é uma maneira de evitar aquele corte radical e que o processo é eliminam a química enquanto seu cabelo natural cresce, apenas aparando a parte que tem química, certo? Leva um tempo e pede paciência, mas para muitas vale a pena esperar ao invés de sofrer com o corte. Aparar não é obrigatório, mas ajuda a manter a quebra sobre controle e dá ao cabelo uma aparência mais saudável.

Prós da transição:
1. Você tem tempo para aprender bastante sobre as características particulares do seu cabelo.
2. Se você não curte o cabelo curto, pode evitar o desconforto enquanto espera o crescimento do seu cabelo.
3. Durante a transição você pode aperfeiçoar suas habilidades no cuidado com seu cabelo, praticar vários penteados e etc.

Contras da transição:
1. Seu cabelo muito provavelmente vai apresentar texturas diferentes e em alguns momentos esse fator pode ser bastante incômodo. A dica é texturizar com técnicas como twists, dedoliss, bantu knots, flexi rods e por aí vai.
2. Como já disse, o processo de transição leva mais tempo do que partir logo pro BC. 


Foto: Nate White
Agora vamos aos 7 passos práticos que vão te ajudar nesse período?
PASSO 1 - Mantenha seu cabelo hidratado
A maior luta na transição é impedir/controlar a quebra causada pelo ressecamento, danos que o uso de química trouxe... Faça o que puder para manter o cabelo hidratado, estabeleça uma rotina de cuidados saudável e regular (não vire alok do cabelo, viciada em tratamentos, por favor!). 
Olha a dica:
1. Usar óleos vegetais puros como óleo de coco ou azeite extra à noite, antes de dormir. Aplique por mechas, enluve, faça twist ou coquinho ao final (é só uma sugestão, mas vale a pena fazer pra manter a organização dos fios e até reter o produto aplicado). Isso ajuda na reposição de nutrientes que fortalecerão a linha que divide a parte natural e a com química no fio.
2. Antes de aplicar o shampoo, aplique um pouco de condicionador antes, faça umectação usando óleos vegetais (os mesmos procedimentos da dica anterior) ou prepare uma misturinha (pré-poo, como nessa sugestão aqui). Ajuda a proteger os fios das agressões que shampoos promovem. Enquanto limpam, levam a oleosidade boa junto com a sujeira.
3. Escolha bem seu shampoo e prefira os que são sem sulfato, mais hidratantes e etc. Indico o Ox Plants Hidratante (com sulfato, mas achei super suave e uso frequentemente) e Makeda Shampoo Nutritivo*. 

PASSO 2 – Faça tratamentos profundos
Use máscaras e misturinhas mais elaboradas. É legal pensar até em um cronograma simples para organizar seus cuidados de nutrição, hidratação e etc. (só não vire a aficionada por tratamentos!). Tente fazer um tratamento profundo uma vez a cada 7 dias em sua casa ou, se puder, procure um profissional que entenda sua necessidade e faça tratamentos eficazes.
Olha a dica:
1. Use maionese. Sim! Pode parecer estranho, mas ela é excelente na tarefa de promover hidratação (e vale como pré-poo também!). Vocês vão vê-la entre as indicadas entre os tratamentos com proteína. Aplique pura, misturada com uma boa máscara ou óleo vegetal, por exemplo. Deixe agir por cerca de 30 minutos, enxague, condicione. Um bom tutorial aqui.

PASSO 3 – Evite aplicações de calor
É tentador usar chapinha, escova e por aí vai. Muitas fazem e estão indo bem, mas uma ideia coerente é não aplicar tanto calor nos fios. Essas ferramentas são bem agressivas e podem acelerar a quebra na linha de divisão, onde o fio está mais frágil. Durante a transição evite o uso, e, se necessário, tente usar só uma vez por semana, no máximo. Se você precisa muito e não tem jeito de não usar, reforce ainda mais os tratamentos e vá com cuidado e carinho, tanto na sua linha de divisão quanto sobre sua parte natural que está em crescimento.

PASSO 4 – Modere a lavagem
Isso complementa o cuidado com a hidratação. Lavar o cabelo com muita frequência impede que ele aproveite a oleosidade natural e benéfica. Limite a quantidade de lavagens. Tente lavar uma vez por semana, por exemplo. Assim há tempo suficiente para a oleosidade natural revestir os fios.
Olha a dica:
1. Se liga no co-wash! Essa técnica pode substituir a lavagem total ou parcialmente (aí você entra no mundo do low ou no poo). A ideia é usar o condicionador com composição liberada, que possui agentes de limpeza, no lugar do shampoo. Saiba mais aqui

PASSO 5 – Alimentação balanceada ajuda
A manutenção de vitaminas e minerais é importante para a saúde em geral e faz diferença na saúde dos fios. Verifique se seus níveis de vitamina D e vitamina A estão em dia, consulte uma/um especialista e pratique um estilo de vida. Procure saber sobre o uso de suplementos vitamínicos também. Eles podem fortalecer e até acelerar o crescimento. 

PASSO 6 – Evite produtos químicos
Embora possa parecer um conselho óbvio, tente ficar longe de permanentes, relaxantes e afins no período de transição. Além disso, evite tinturas e descolorantes, já que também causam danos significativos. Busque sempre alternativas o mais naturais possíveis.

PASSO 7 – Inspire-se, liberte-se e divirta-se
Observar casos que deram certo, Meninas que conseguem criar com o próprio cabelo e trocar ideias sobre o assunto, ajuda bastante e te deixa mais segura. Aproveite o momento, toque seu cabelo, teste produtos e penteados, novos acessórios, pergunte bastante. A maioria de nós cresce sem saber como o cabelo se comporta e como ele pode ser maravilhoso (contrariando o que sempre disseram sobre ele). Esse é o seu momento! Se descubra. Com certeza saber seu cabelo abrirá portas muito maiores nesse universo de possibilidades que você é.

PASSO BÔNUS – Não ligue pra quem não pode ajudar
Opiniões negativas disfarçadas de "sugestões" ou conselhos amigáveis vão surgir. Muita gente vai querer saber se você está em depressão, o motivo de "não se cuidar mais" ou suas razões para assumir "esse cabelo". Vão dizer que o liso combina mais com seu rosto ou que preferem te ver desse ou daquele jeito. Lembra do passo anterior? LIBERTE-SE. Inclusive da necessidade da aprovação de outras pessoas. Esteja e caminhe segura. Você decide o que fazer com seu corpo e ninguém pode ter maior poder sobre você mesma. 

É isso aí, Menina! Espero que essas ideias te ajudem. Se quiser compartilhar dúvidas, experiências e dicas também, fique à vontade. Beijos!
* Não é publieditorial.
** Fonte: BlackHairOMG