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DICAS DE TRATAMENTO PARA NOSSOS FIOS | TAINÁ ALMEIDA

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Fazer um tratamento capilar profundo nos cabelos pelo menos uma vez a cada duas semanas ajuda a recuperar e fortalecer os fios.
Neste post do blog falamos mais sobre cronograma capilar e qual o benefício de cada etapa. http://meninasblackpower.blogspot.com/2013/03/coisa-nossa-cronograma-capilar.html




Os tratamentos mais comuns são com proteína que ajuda a reparar o dano dos fios. A proteína enche os espaços vazios entre as cutículas dos fios.
Uma vez por mês é o período suficiente para diminuir o dano.





* Coco, óleo de abacate e óleo de oliva são conhecidos por penetrar nos fios e nas cutículas quando possível coloque em seu tratamento. Sempre utilize óleos vegetais.


* Colocar uma toalha quente ou touca térmica por 20 minutos ajuda a aumentar a potência de seu tratamento.

*Lavar os fios com água fria para selar as cutículas.
http://cacheia.com/wp-content/uploads/2014/02/lavagem-cabelo-cacheado-crespo.jpg


*Não esqueça das pontas do seu cabelos, elas são a parte mais antiga do cabelo.

* Cuidado ao secar para não esfregar a toalha de banho nos fios.

https://i.pinimg.com/originals/ac/c0/09/acc009040e467fade11aff75351abcba.jpg

*A hidratação é importante, mas precisamos manter em mente que tudo que é demais prejudica. Respeite o tempo de intervalo entre os tratamentos.



NÃO ESTAMOS AFIM

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por Renata Morais

Foto: Renata Morais
      Oi. Hoje não quero passar nada no meu cabelo. Ontem também não quis e talvez não queira por um bom tempo. Não tenho vergonha de dizer que só estou lavando. Só mesmo. Uso shampoo e condicionador. Apenas. 
      Nós dois tivemos uma conversa e resolvemos que ele teria o tempo dele também. Sabemos (eu e ele) que cronograma, óleos e receitinhas são importantes, mas decidimos que isso não ia afetar nossa relação. Ele (o cabelo) está mudando rápido, ficando maduro. Fios brancos estão aparecendo, mas como estamos em uma relação aberta, tingir não é uma escolha só minha. É dele também. Tive que ter essa abertura com ele, porque eu estava sofrendo. Minha vida mudou muito de uns meses para cá e o tempo ficou curto. Ficava triste e com um sentimento de culpa quando não conseguia hidratá-lo. Por isso fui até o espelho e o toquei, abri suas mechas crespas e conversamos. Decidimos que o que é bom pra mim, seria bom pra ele e vice-versa. 
        Há exatamente um mês que não hidrato. Hoje ele está lindo. Vou hidratar? Sim, mas não hoje. Ele precisa de cuidados? Muitos, mas também queremos ser livres. Ele está crescendo? Muito! Nunca cresceu tão rápido. Ainda amamos óleos, babosa e receitinhas caseiras? Sim, mas só usamos quando estamos afim. Minha dica: toque seu cabelo, converse com ele, ame-o. Não simplesmente por vaidade, mas sim por ser corpo, ser parte de você.

DEIXA O MEU CABELO EM PAZ? NEGRITUDE, MASCULINIDADES E CABELOS CRESPOS - PARTE 1

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       A primeira parte do título do presente texto foi retirado de uma canção brega que fez sucesso na voz do cantor Oswaldo Nunes e serviu de trilha sonora para casais dançarem samba-rock nos bailes blacks de São Paulo nos anos 1970. A letra da música remete ao fato de um jovem ter cabelo grande (talvez "black") e isso ser motivo de problemas, confusão e discórdia (ouça a canção AQUI). Contudo, em parte da letra se afirma de forma categórica: "não corto o meu cabelo, de jeito nenhum eu vou cortar". Fui convidado por minhas amigas do Meninas Black Power a escrever sobre a relação entre cabelos crespos e homens negros. Em meu blog pessoal, o NewYorKibe, já abordei o tema dos cabelos crespos a partir da perspectiva da classe e focada nas mulheres (ver AQUI), mas abordar a temática racial sobre o prisma da estética e masculinidade é algo novo para mim.  A discussão é complicada e longa e, assim sendo, optei por dividir a história toda em três partes/posts de maneira a não entendiar o/a leitor/a com um texto muito longo.
        Falar sobre cabelos numa perspectiva de gênero masculina é uma coisa interessante. O cativante do tema vem do fato de homens em geral tenderem não se preocupar tanto com os cabelos quanto as mulheres. Esse fato, que de antemão digo ser uma meia-verdade, tem haver com a representação do gênero masculino. A propósito, é nesse sentido que gênero deve ser entendido nessa pequeno texto, ou seja, uma representação. Explico-me. Gênero, numa perspectiva antropológica e sociológica, é uma ideia construída do ponto de vista histórico, social e simbólico sobre o que vem a ser masculino e/ou feminino dentro da sociedade não tendo necessariamente relação direta com o sexo biológico (ter nascido com um pênis ou vagina). Exemplo: uma transexual pode ser alguém do sexo masculino cuja auto-identificação de gênero é feminina. Levando em conta esse aspecto, gênero é uma categoria bastante flexível onde há performances mais masculinizadas e outras mais feminizadas. Assim sendo, agimos, nos relacionamos e construímos nossos desejos/sentimentos tendo como referências essas representações.
        A representação normativa (aquela que estabelece uma norma ou padrão a ser seguido por todos) que se construiu do gênero feminino coloca ênfase na emotividade e preocupação com aparência e, nesse aspecto, o cabelo é um elemento essencial. No caso masculino aparência é um elemento desprezado ou entendido como menor perante outros como força, virilidade e não demonstração de sentimentos. Quando a aparência é enfatizada no gênero masculino, ela sempre se encontra atrelada a outros aspectos como, por exemplo, força. Daí entende-se a fixação que certos homens tem por um corpo musculoso. Junto a não exibição de sentimentos e uso da violência esses elementos constroem a imagem do homem "durão" visto recorrentemente em papéis interpretados no cinema por artistas como Arnold Schwarzenegger, Silvester Stallone, Chuck Norris, Charles Bronson, Vin Diesel e outros remetendo a uma noção bastante valorizada de masculinidade.
      E já que citei Vin Diesel, reflitamos sobre a negritude desse autor. Segundo consta, esse é um dos assuntos que o consagrado ator de blockbusters farofas de Hollywood evita comentar embora o mesmo se auto-identifique como "uma pessoa de cor" (palavras dele). Daí vai (ou vem) a pergunta: você se lembra de ter visto alguma foto de Diesel com cabelo? Sim, existem algumas aí na web, mas ele optou de vez pelo look cabelo raspado quando sua calvície ficou mais evidente. Por outro lado, me pergunto se a preferência do ator pelo visual do cabelo raspado por navalha
talvez não remeta também a um certo incômodo com a sua negritude. Isso me lembra em muito também a relação com o cabelo que o jogador de futebol Ronaldo "Fenômeno" teve durante boa parte da sua carreira. A propósito, aqueles que tem memória boa devem se lembrar do episódio de anos atrás no qual Ronaldo, ao ser questionado sobre episódios de racismo nos estádios, se solidarizou aos seus colegas jogadores negros, mas se auto-classificou com "branco".  
       A ideia generalizada de que homens não se preocupam com seus cabelos é, como já disse, uma meia-verdade. Aparência é algo central para ambos os gêneros. Contudo, homens e mulheres negros tem motivos específicos para se preocupar com o cabelo. Entre os séculos XVIII e XIX ocorreu a estruturação do racismo científico europeu que estabelecia hierarquias entre as ditas "raças" que eram entendidas como realidades biológicas distintas e hierarquizadas: brancos europeus seriam superiores a negros, asiáticos e indígenas. A miscigenação era vista como algo negativo e a ser evitado, pois os indivíduos nascidos de relacionamentos inter-raciais incorporariam as características da raça inferior do par. Nesse contexto, determinadas traços fenotípicos como a pele escura, o nariz mais achatado, os lábios grossos e os cabelos crespos tornaram-se símbolos de inferioridade e ausência de beleza. Fácil deduzir que o padrão a que todos os outros grupos raciais deveriam se medir era o do grupo branco europeu. Isso explica em parte a relação de repulsa e incômodo que muitos negro/as tem com seus cabelos crespos, usualmente classificados como "ruins" em detrimento dos "bons" cabelos lisos. 
       No próximo post falarei de algo polêmico: alisamentos. Diferente do que muitos pensam essa não é uma prática exclusiva das mulheres negras. Nós, homens, se não o fazemos hoje, já fizemos algum dia no passado. Até lá. Muita Paz, Muito Amor!


Márcio Macedo, também conhecido como Kibe, é estudante de doutorado em sociologia e escreve no seu blog, NewYorKibe.

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     Recentemente publiquei um desabafo lá na página. Na ocasião, lembrei de mim e muitas outras que já haviam passado por algo semelhante durante a vida escolar. Posso afirmar: é excelente evoluir, "dar a volta por cima" e desenvolver esse amor incondicional por nós e pelo que somos, mas existem agressões que marcam profundamente e quase sempre lembramos delas. A história que conto, gira em torno da aflição de Damali enquanto acompanhava o sofrimento da irmã mais nova, por conta das declarações de uma racista em formação (e não me digam que "racista" é adjetivo pesado pra uma adolescente que coloca a conversa num nível assim, ok? Ela reproduziu a fala que já conhecemos desde sempre, só que numa versão hightech). Damali escreveu: "... Cheguei em casa e ela estava toda amuada no sofá. Fui perguntar o que estava acontecendo, aí ela me disse que está sendo incomodada por uma garota no colégio por causa do seu cabelo, que a tal garota costuma chamar de "bombril" e derivados. Ela me contava e chorava dizendo que queria ter cabelo liso pra nunca mais ter de passar por isso de novo e me mostrou uma postagem dessa garota no twitter..." A situação foi piorando e a tal menina racista não demonstrou culpa, remorso, arrependimento ou o mínimo de temor diante da proporção gigantesca que a situação tomou (já que, felizmente, muitas pessoas compreenderam que era gravíssimo!). 
       Pensamos no que pra oferecer encorajamento pra enfrentar situações tão desconfortáveis. Nada melhor que exemplo! Por isso convidamos três Meninas Black Power que são inspiração pra nós. Gabi, que atualmente arrasa nos episódios de "Tá Bom Pra Você?"; Lorena, que sempre dá uma força lá na página; Luiza, que já é referência de resistência e mobilização do bem na escola dela. Elas estão no ensino fundamental, vivendo a adolescência e vão compartilhar vivências numa conversa super MBP. Ah! Antes de ir ao que interessa, vale lembrar que racismo não é bullying. Todo preconceito é ruim, mas é fato que racismo está pra além de um preconceito qualquer. Agora sim, a parte boa. Que a experiência dessas rainhas ajude toda Menina Black Power que estiver precisando de força!

MBP - Olá, Meninas! Vamos começar com as apresentações? Como vocês se chamam, quais as idades e em que série estão?
Gabriela - Gabriela Dias, 14 anos, oitavo ano do ensino fundamental.
Lorena - 
Meu nome é Lorena, tenho 14 anos e também estou no 8
° ano.
Luiza - Luiza Santos Morais Cantanhede, 12 anos, 7° ano.

MBP - Ótimo! A gente quer saber como é a família de vocês e como eles se relacionavam com seu cabelo durante a infância. A opinião deles influenciou na maneira como você enxergava o cabelo e o dos outros?
Gabriela - Minha família é super unida e meus pais são muito presentes. Sempre conversamos sobre as questões sociais, principalmente a questão racial, daí a ideia de criar o "Tá Bom Pra Você?". Minha mãe sempre me ensinou a gostar do meu cabelo e isso fez com que eu tivesse orgulho de ser black.
Lorena - Bem, minha mãe tem cabelo cacheado mas alisa. Durante minha infância, antes de começar a usar produtos químicos, nunca tive problemas em relação ao meu cabelo, mas as pessoas sempre falavam que ter cabelo crespo era ruim.  
Luiza - Minha mãe sempre me ensinou a aceitar o meu cabelo do jeito que é e nunca ouvir desaforo de ninguém. Uns vão adorar e outros com certeza vão detestar, mas eu faço por mim. Errado é se eu mudar pra agradar.

MBP - As escolas de vocês interferiram nessa relação com o cabelo e beleza de maneira positiva ou negativa? Vocês já passaram por casos de racismo lá ou já viram outras pessoas passando por isso?
Gabriela - Negativa. Creio que toda adolescente negra sofre no ambiente escolar. Eu mesma já pedi para alisar meu cabelo algumas vezes, não por achar bonito cabelo liso,mais para não sofrer discriminação (que às vezes vem dos próprios professores!). Nasci na Venezuela e estudei lá ate os 11 anos de idade. Eu era a única menina negra da minha escola e todas as meninas da minha turma tinham cabelo muito liso! Eu sofria muito. Minha mãe sempre conversava (ou melhor, brigava) com os pais e professores, mas criança aprende o racismo dentro de casal. É muito difícil controlar isso sem a ajuda da sociedade em geral. Também já vi acontecendo com outros várias vezes. Quase sempre a pessoa discriminada ri e leva na brincadeira. Depois, lógico, desiste de deixar o cabelo natural. Até mesmo meninas que usam química molham o cabelo a cada minuto só para reduzir o volume. É horrível!
Lorena - No meu caso interferiu de um jeito ruim, sabe? Depois que comecei a  frequentar a escola, passei a usar ele preso ou com tranças, pois tinha vergonha do meu cabelo. Todo mundo tinha cabelo liso! Nunca  presenciei outras pessoas nessa situação, até porque são poucos que vejo que assumem seus cabelos .
Luiza - Pra falar a verdade minha escola não liga muito para esse tipo de assunto, viu? Eu nunca passei por esse tipo de situação, mas conheço muita gente que já... Vejo quase diariamente. Tenho muitas colegas que sofrem com apelidos preconceituosos por causa do cabelo crespo. Uma delas até chegou a pedir para que a mãe fizesse transferência escolar.

MBP - E as químicas? Já usaram?
Gabriela - Comecei a usar química com 11 e parei aos 13 anos. Eu usava relaxamento para reduzir o volume do meu cabelo. Olhava revistas, programas, e me achava estranha com meu cabelo...
Lorena - Minha avó me levou ao salão com 7 anos. Ela disse que meu cabelo ficaria melhor e mais bonito. Parei de usar química aos 12. Odiava ficar horas e horas no salão... O que me fazia gostar de química era achar que ficaria mais bonita de cabelo liso e que todos iriam achar também.
Luiza - Nunca usei química! Meu cabelo é natural desde sempre. Acho que não sou diferente de ninguém por ser negra e ter cabelos crespos.

MBP - Quantas histórias! O que fez vocês voltarem ao cabelo natural?
Gabriela - Comecei a ver mulheres da minha família deixando o cabelo natural. Minhas primas, tias, as namoradas dos meu primos... Aí comecei a me sentir cafona, sem graça, feia, e me libertei. Estava no meu quarto olhando fotos das mulheres da minha família e me senti horrível! Saí do quarto, fui ao banheiro, peguei a tesoura e falei pra minha mãe: "Corta tudo, pelo amor de Deus!" E olha que eu estava com cabelo enorme. Foi escolha minha e eu sabia que já estava feio. As mulheres da minha família sempre falavam: "Ah, Gabi! Você vai ficar linda com o cabelo black!" Não é que fiquei mesmo? [risos] Me acho linda! 
Lorena - Depois de vários anos usando química e quase ficar careca por conta disso, quando cortei o cabelo e retirei a parte lisa, decidi não fazer mais nada no cabelo. Deixaria como ele é. Antes usei tranças por uns 2 meses e depois não fiz mais nada. Decidi ser quem eu sou.

MBP - Como vocês se relacionam com vocês mesmas agora? Como enxergam seus cabelos, beleza e negritude?
Gabriela - Eu amo meu cabelo e estou me achando muito mais bonita do que antes. Pelo fato de ter cortado e deixado natural, hoje em dia sou muito mais consciente enquanto mulher negra.
Lorena - Hoje em dia, me comparando com as fotos de quando eu tinha cabelo alisado, me acho mais bonita e me sinto ótima com meu cabelo. Sinto que sou eu mesma.
Luiza - Sou linda do jeito que sou. Gosto muito de usar acessórios no cabelo e de chamar atenção com isso.

MBP - Com o cabelo natural e opinião mais afirmativa sobre vocês, como é o círculo de amizades e o convívio social na escola? 
Gabriela - Muito bom! Tenho várias amigas, mas sou a única que usa o cabelo natural. Muitas delas ainda têm aquele medo de tirar a química. Às vezes a própria mãe não deixa tirar a química, né? Conheço meninas que querem parar de alisar, relaxar, mas as mãe não deixam.
Lorena - Sou a única garota com cabelo natural na escola; ou seja, sou alvo de piadas e brincadeiras sem graça em relação ao meu cabelo o tempo todo. Mesmo assim não dou importância.
Luiza - A maioria das minhas amigas usam química, alisamentos mais intensos, mas não me tratam diferente de ninguém.

MBP - E com os meninos? Como é relação? 
Gabriela - Não tenho namorado, mas os meninos da minha sala gostam do meu cabelo e me acham bonita. Mesmo assim percebo que os meninos elogiam as meninas negras, mas preferem sempre ficar com as meninas brancas.
Lorena - Os meninos sempre preferem as garotas dentro do "padrão de beleza". Sempre debocham do meu cabelo, colocam apelidinhos idiotas, mas meu namorado ama meu crespo e me acha linda sendo natural.      
Luiza - Sou muito nova para namorar, mas os meus amigos se dão muito bem comigo e com meu cabelo.





MBP - Meninos... E a escola em geral? Como acontecem as discussões sobre racismo? Acontecem?
Gabriela - Poucas vezes isso aconteceu na minha escola e quando acontece sempre quem aborda o assunto sou eu. Os outros alunos não falam nada. Os professores não gostam de falar sobre a África, aliás. Só na "semana da consciência negra".
Lorena - Na atual não, mas em outras escolas que já estudei os professores sempre promoviam um diálogos sobre racismo. Lembro de um vídeo que meu professor de História passou, um vídeo sobre o racismo*, onde quem era o alvo de racismo era a pessoa branca de cabelo liso.
Luiza - Umas das coisas que mais me revoltam é isso! Nada é dito na minha escola. Nunca houveram palestra e nem diálogos sobre o assunto.

MBP - Estamos quase acabando, mas antes queremos saber as dicas de vocês para alguma menina que esteja enfrentando problemas na escola por causa e características que possui.
Gabriela - Tenho várias! Leiam o livro "Um defeito de cor"**. É da Ana Maria Gonçalves. Também inscreva-se no canal ''Tá Bom Pra Você?'', curtam a página Meninas Black Power e tirem o Alisandro da vida. [risos]
Lorena - Seja você mesma, mesmo que falem mal. Não dê importância para opinião alheia.
Luiza - Não ligue para a opinião dos outros. Apenas seja você mesma.

MBP - Pra acabar, vamos de "pensa rápido". Digam aí, uma mulher negra que inspira vocês.
Gabriela - Kenia Dias, minha mãe.
Lorena - Tina Turner.
Luiza - Renata Morais, minha mãe!


MBP - Produto que mais gostam de usar no crespo.
Gabriela - Linha TRESemmé para cabelos cacheados.
Lorena - Gel, deixa meus cachos mais definidos.
Luiza - Creme de pentear Kanechom.

MBP - Acessório ou penteado que mais gostam.
Gabriela - Gosto de fazer tranças nagô e adoro usar turbante!
Lorena - Laços e tiaras.
Luiza -  Os laços da Lulu e Lili, marca da minha mãe.


MBP - Um momento super especial que já tiveram com o crespo.
Gabriela - Quando cortei o meu cabelo e tirei toda química. Foi muito legal! Minha madrinha ficou a tarde toda cuidando do meu cabelo e minha mãe e minha prima me enfeitaram. Foi uma festa!
BC da Gabi
Lorena - Quando uma moça que estava me atendendo no supermercado elogiou meu cabelo.
Luiza - Toda vez que recebo elogios.

MBP - Ser Meninas Black Power é...
Gabriela - Ser diva.
Lorena - Ser você mesma.
Luiza - Ter paciência e atitude.

Pra rir  se inspirar: 
                         

** Download do livro no link.



VOLUME DEMAIS?!

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       Volume demais, que causa problemas demais... Depois de um tempo sem escrever, resolvi partir de uma polêmica que aconteceu em um dos diálogos de nossa equipe MBP RJ.  Conversávamos sobre a dificuldade que as pessoas têm ao olhar nossos cabelos crespos e cacheados sem que haja aquele pensamento básico de que "ele está bagunçado". Compreende-se por cabelo crespo e cacheado um tipo de folículo capilar mais volumoso devido seu peso e forma, que pode ser um cacho mais delineado ou mais achatado, o estilo molinha (aqueles cachinhos pequenos que não alcança cumprimento na mesma facilidade). 
     Com essa múltipla característica que cada mulher acaba desenvolvendo, foram formados hábitos diferentes para cuidar e manter nossos cabelos de acordo com o que chamamos de "arrumado". Jeitos esses que envolvem pentear o cabelo com a mão ou garfos, aplicar umidificadores para definir melhor o cacho, usar mousses e géis para dar mais movimento (e volume também, por que não?), várias receitas caseiras e etc. Percebe-se que o problema da nossa cabeleira não está sendo com os seus cuidados mas a aceitação da sua naturalidade pelas pessoas que possuem (ou não) seus cabelos "de nascimento". Elas acabam querendo nos julgar e discriminar dentro de escolas, hospitais, restaurantes, multiempresas, escritórios de direito, administração e engenharia, locais onde passam as diversas classes sociais, e que acabam infelizmente se adequando a um padrão que não condiz com a realidade em torno dessas estruturas físicas. 
       Nas ruas que formam nossos bairros, cidades, estados, podemos notar que o brasileiro, definitivamente, não nasceu para ter seus cabelos esticados, e sim para ser aceito da forma que foi concebido. Pena que esse tipo de compreensão ainda está longe de ser discutida de forma transparente e pública dentro dos espaços de trabalho e formação, mas é através de textos como o que escrevo aqui que trazemos a questão para repensar a forma com a qual julgamos e condenamos crianças, jovens, homens e mulheres negras por estarem se libertando de um pensamento colonizador e dominante, e que quando escolhem ser elas/eles mesmas (os), acabam fraquejando. Esse texto não é contra você que alisa, que usa permanentes ou até mesmo raspa a cabeça com medo de que o que é seu seja exposto... É mais um desabafo e até uma forma de refletir sobre como estamos julgando pessoas, tanto próximas quanto distantes, sem saber a história que há por detrás de seus cabelos.
       Te dedico, Jessyca Liris. E parabéns por se tornar essa mulher liberta, espero que você não seja alvo de pontas afiadas, mas espelho de consumo para muitas mulheres que almejam sua coragem.



FLORES NA REVISTA RAÇA

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      No dia 09 de outubro as Meninas Black Power marcaram presença nas páginas da Revista Raça. Agradecemos de coração todos e todas que tornaram isto possível. Nossa voz, nossas letras e nossos crespos estão sendo mostrados, e queremos que isso aconteça cada dia mais. Já conferiu a revista? Corra para a banca mais próxima, não deixe para amanhã! Veja algumas fotos do making of abaixo e também em nossa página, Meninas Black Power.

Ficha técnica:
Locação: Ateliê Colares D'Odarah 
Idealizadora: Ingrid da Matta 
Direção: Emanuele Sanuto 
Produção executiva: Tainá Almeida
Styling: Fabíola Oliveira 
Fotografia: Augusto Baptista 
Making of: Kelly Melchiades 
Make: Dannyelle Soares 

Modelos: 
Natália Regina
Ingrid da Matta
Jaciana Melquiades
Leandro Melquiades
Matias Melquiades
Jessyca Liris
Fabíola Oliveira
Raycauan Benthroldo


Realização: 
Coletivo Meninas Black Power












MÍDIA MBP - TWITTER

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      Como sintetizar as ideias? Como nos conectar umas com as outras usando poucas palavras? Este é o nosso desafio. São tantas dicas, tantas informações, tantas coisas que uma crespa precisa falar...
        A identificação é o ponto principal. Em apenas 140 caracteres nós nos desafiamos a passar uma mensagem completa e ainda termos rosto, personalidade e cumplicidade com cada uma de vocês. É tudo isso que tentamos fazer no @mblackpower, nosso Twitter. Lá o contato é pessoal e gira em torno do dia-a-dia de uma de nossas MBPs, com pensamentos, receitas, dicas. Que tal conhecer em 140 caracteres o que se passa na cabeça de uma MBP? Neste mês de outubro conheceremos a mente brilhante da crespíssima Twylla Ferraz.



Veja alguns textos dela por aqui:

     Não esqueçam, hein?! Mais dicas e ideias crespas no https://twitter.com/mblackpower. Esperamos por vocês.