#FALANDODETRANSIÇÃO COM KARINA VIEIRA

por Karina Vieira
     Voltando àquele papo sobre o quanto é empoderador ver as minas tudo assumindo seus cabelos crespos, sendo do comprimento que for: bem, passar pelo BC é difícil, doloroso e por muitas vezes pensei que não aguentaria a pressão, afinal há muita gente ao seu lado, mas também há um monte pra testar sua fé. Porém o mais difícil está por vir. O cabelo que está crescendo só encontra sustentação se estiver firmado em raízes e essas estão dentro da cabeça.
     Como li várias vezes durante a semana, assumir-se crespa começa na estética, mas precisa ser algo além. As piadinhas dos amigos mais próximos começam a perder a graça. A invisibilidade midiática fica mais gritante. O fato de você não ver pessoas como você nos lugares de poder incomoda cada dia mais. Ver corpos pretos sendo mortos e arrastados fica latente, deixa de ser apenas número e passar a ser sentido na própria pele.
     Aí começa a verdadeira revolução. A estética vira política e eu só encontrei sustentação quando me amparei no Coletivo, quando percebi que a mudança que começava em mim só fazia sentido se reverberasse nos meus. O coletivo não tem esse nome à toa. Ele só existe porque não é feito de "eu", mas sim de "nós". 
Estética é política, sim. Ou pelo menos pode ser o começo.

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