É A MINHA CARA - ANA CAROLINA, NEGRA FULÔ


  Conhecemos o trabalho dela por indicação de uma das Meninas. Negra Fulô é lá de Goiás e está colocando coisas lindas na cabeça e na vida de muitas. Abaixo está a nossa conversa sobre cabelo, cuidados, afirmação e empreendedorismo.

MBP: Começa contando pra nós o que você faz da vida?
AC: Sou Ana Carolina, tenho 24 anos , casada, tenho um casal de filhos. Sou Artesã, educadora ambiental, vitrinista e gestora de eventos. No momento estou trabalhando com produção de eventos culturais na cidade onde moro, Cidade Ocidental - Goiás. Sou ambientalista e trabalho com projetos voltados ao eco turismo da cidade também.

MBP: E como você chegou ao cabelo crespo? Qual é a história do seu cabelo?
AC: Quando era pequena meus pais não sabiam cuidar muito bem dele. Não ficava muito legal, assanhado, sem jeito... Então tinha vergonha! Não por ser afro, mas por não estar cuidado direito. Quando eu mesma comecei a cuidar dele, passava produtos químicos (fazia relaxamento), ele era grande e quando lavava já deixava secar pra deixar no rabão de cavalo. Não sabia usar ele de outra maneira. Isso usando ele até os 17 anos. Chegando aí resolvi deixar ele crescer e usá-lo natural. Arrisquei cortá-lo curto e estou aí até hoje, usando ele naturalíssimo, somente a cor que não é natural. Eu mesma cuido, corto, pinto e faço tudo. Amo meu cabelo e sinto orgulho quando ele está bem volumoso. 

MBP: Qual a razão de cuidar dele sozinha?
AC: Eu tenho um ciúme danado! Também aprendi como cuidar, tenho facilidades em cuidar do cabelo. Sempre procuro saber o que é bom pra ele e mando ver! [risos]

MBP:  E o que você tem usado nele agora?
AC: Pra lavar shampoo e condicionador para cachos da Natura. Não uso creme de pentear, somente o G Gelatina da Capicillin, e faço hidratação nele com uma máscara uma vez na semana. A tintura é Marrom Elegante da Koleston.

MBP: Vamos falar de Negra Fulô? Como começou?
AC: Sim! desde os 14 anos sempre fui de produzir minha bijuterias. Nada muito bem feito, mas com o tempo fui aprimorando algumas peças. Nunca fiz nenhum curso de pedraria, montagem ou algo do tipo. Quatro anos depois resolvi melhorar o negócio, até porque as pessoas me questionavam das peças que eu usava e queria comprar de mim. Até aí não tinha uma marca fixa e usava o nome de Anartesã, mas achava muito fraco! [risos] O nome da marca não tem muita história, queria algo simples que me representasse e ao mesmo tempo todas as mulheres, crianças, meninas, etc. O negra veio de mim, e o fulô , que acho muito bonito, representa flor no sotaque nordestino, representa as mulheres flores! [risos] Agora a logo que é a boneca foi simplesmente uma pintura que fiz em bolsa, que eu mesmo criei, depois vi a foto e fiz um efeito. Ficou a bonequinha bem destacada que tem tudo a ver com o nome da marca! 

MBP: Onde você se inspira pra criar as peças?
AC: Eu busco conhecer as tendências, o que está sendo usado na internet e
algumas revistas... Mas engraçado que algumas peças surgem da criatividade mesmo. Busco reutilizar diversos tipos de materiais; tento não usar muito material industrializado, como ferros, correntes, plásticos. Quando uso são só alguns detalhes! Mas procuro aproveitar o material que tenho, evitando de ficar comprando coisas que talvez eu não use. As peças são uma mistura de estilo. Gosto muito de fazer peças afro mais modernizadas. Já trabalhei muito só com sementes e madeiras. Eu mesmo acabei enjoando e com vontade de usar outros materiais. As peças variam pra que gosta do afro, sofisticado, simples ao exagerado. Gosto da diversidade de estilos, mas nada muito comum.

MBP: Como é a relação das meninas crespas com seus acessórios?
AC: Elas adoram! Geralmente elas compram, encomendam flores para os cabelos. Quando posto fotos minhas ou outras inspirações, ajuda muito na questão de ousar e comprar das produtos.

MBP: E você tem percebido mudança nessa relação da mulher crespa com o próprio cabelo?
AC: Sim! Hoje em dia muitas delas estão vendo outras que assumem seu cabelo do jeito que é e toma atitude também. É visível por muito lugares onde vou, apesar de conhecer muitas que não deixam a chapinha por nada.

MBP: Pra terminar: na sua opinião, qual a importância de ser crespa?
AC: 
Acho que estamos vivendo um momento de recuperar a autoestima, e isso é importante para as mulheres negras, que tanto sofrem com o preconceito e o tipo de cabelo (padrão) que muitos da sociedade impõem. Importante manter essa posição de mulheres confiantes, orgulhosas e felizes. Se aceitar primeiramente, apesar do preconceito que muitas sofrem.

Para saber mais é só curtir a fanpage: www.facebook.com/fulonegra.



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3 Responses to “É A MINHA CARA - ANA CAROLINA, NEGRA FULÔ”

  1. Obrigada meninas pela oportunidade de falar um pouco da minha história!! Ficou ótimo o post, sucesso e muito reconhecimento na página.
    Um bj* e muiiiitas flores nesses cabelos crespos!!!

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  2. Adorei!!! Conheço essa linda Nêga Fulô e admiro muito a pessoa dela e o seu trabalho. Ela é tudo isso mesmo e muito mais!!! Parabéns a Equipe pela entrevista.

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  3. Muito Obrigada Karla Jeanne!!!
    você é mais uma florzinha que acompanha os meus trabalhos!
    Minha fulô sortuda!!
    bjUUUs

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