THE BOOK OF NEGROES

 por Tainá Almeida

Fonte: CBC 
     Ainda na década de 90, ou o famoso "desde que eu me conheço por gente", comecei com Nikita e Buffy, só que Deus é mais e hoje eu estou vendo seriados melhores (em outro momento venho contar ;) ). Nos últimos tempos a moda pegou, parece que os seriados vieram para dominar o cenário atual. Só se fala em séries, Netflix e no tanto que nossa geração está viciada nisso.
     Eu, como amante de ~viciada em~ seriados sempre tenho uma lista do que eu quero/preciso assistir. Desde o ano passado eu estou doente por uma série linda que apareceu como quem surge do nada "The Book of Negroes". Não tem em nenhum canal brasileiro, não tem nada indicando que essa série passará, mas descobri que tem um canal no Youtube que disponibiliza




      O livro e o seriado têm como plano de fundo a Guerra da Independência Americana e "The Book of Negroes" é um documento real onde foram anotados os nomes de mais de 3 mil pessoas negras que migraram para Nova Escócia como pessoas livre depois de ultrapassarem as barreiras britânicas e da promessa de ficarem no lado britânico durante a guerra.
        O documento "The Book of Negroes" tem duas versões, uma britânica com o mesmo nome que está em Kew, Londres; e uma versão americana chamada The Black Loyalist Directory: African Americans in Exile After the American Revolution (1996) (O Diretório dos Lealistas Negros: Afro Americanos em Exílio após a Revolução Americana), editada por Graham Russell Hodges, Susan Hawkes Cook e Alan Edward Brown em Washington.
        Sabendo que essa é uma história da época de escravização, já cheguem na preparação de choro livre. Já no primeiro episódio eu já chorei como uma bezerra desmamada. O seriado de seis capítulos conta a história das pessoas escravizadas nos Estados Unidos que migraram para o Canadá como homens e mulheres livres, por apoiarem os britânicos na guerra. Surpreenda-se com as imagens de África na tribo da jovem Aminata Diallo, interpretada por Shailyn Pierre-Dixon, onde ela era preparada pelos pais para ser grande! 
(Ative as legendas e a tradução automática para o português).


      Depois Aminata perde tudo, a tribo, seus pais e sua liberdade, mas não perde a si mesma. E vê o amor nascer de uma rocha! Chekura Tiano, gravem esse nome!

E esse rosto! 
       A história de Aminata deveria ser só isso, mas ela não permite. Ela é letrada, inteligente, 'pega' bebês, é uma contadora de histórias e forte. Aminata passa por muitas coisas para conquistar o que deseja, voltar para sua terra natal, promessa que ela faz ainda menina. Quando Aminata começa a escrever The book of Negroes, ela vê a possibilidade de mais uma vez conquistar seus objetivos. Aminata adulta é a maravilhosa Aunjanue L. Ellis. Todos os corações do mundo pra ela. 

Fonte: Emmys
"Meu trabalho era entrevistar os negros e repetir as respostas aos oficiais. Vi pessoas vindas de lugares que nunca ouvira antes. Alguns, eu não conseguia entender, mas fui capaz de coletar informações da maioria, e pude explicar-lhes o que estava escrito nas passagens que recebiam. A sala era lotada e quente, e os dias, longos. Mas, embora estivesse ansiosa para voltar aos braços de Chekura, eu adorava minha nova ocupação. Sentia que dava algo especial para os negros que buscavam refúgio na Nova Escócia, e que eles me davam algo especial. Diziam-me que eu não estava sozinha."

       Para não ficar mais longo e para eu saber que apenas darei um spoiler, falarei o que eu acho mais importante (mentira, eu queria contar tudo). Aminata Diallo começa se apresentando, nome completo, nome do pai e a profissão, nome da mãe e a profissão. Aminata depois explica que é assim que uma contadora de histórias começa a contar sua história, pois só se sabe para onde vai, sabendo de onde vem.
"Como falei, sou Aminata Diallo, filha de Mamadu Diallo e Sira Kulibali...Creio que nasci em 1745, ou por aí. E estou escrevendo este relato. Todo ele."
       Olha nossa ancestralidade aí sendo clamada! Ela é incrível, o nome tem um peso tão grande que depois de sequestrada Aminata e Chekura protagonizam uma das cenas mais lindas, quando um diz o nome do outro, um celebra a ascendência do outro, um celebra a descendência do outro, um amor como poucos. E já adianto que a história desses dois é de muito amor e muita dor.
“Ela me perguntou por que eu era tão negra. Eu lhe perguntei por que ela era tão branca.”

     Esse é um post desejoso de que esse seriado de 6 capítulos seja liberado para que possamos chorar por aqui também. Quem sabe a Netflix não compra, aí poderíamos ser mais felizes em nossas maratonas. ;) 

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